quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Matola e seu edil

Os dias correm, as reclamações vem de tudo o quanto é canto, mas como que uma gota de água no Oceano, esta voz continua insignificante. A apatia que muitos matolenses tem em relação ao grupo instalado na gestão da autarquia, é sem sombra de dúvidas uma demonstração clara de que Nhancale e seus sequazes não tem nenhuma legitimidade. Se fosse humilde, o edil devia ter se tratado depois da campanha eleitoral, onde os matolenses rejeitaram por completo seus pronunciamentos. No último showmício da campanha eleitoral, que teve lugar no bairro Ndlavela, Nhancale tentou persuadir o eleitorado mas sem sucesso, o ambiente ficou gelado, era como se as pessoas estivessem a perguntar: que faz este senhor aqui? Valeu a intervenção da carismática Verónica Macamo, que devolveu animação aos presentes, só com a intervenção desta, ouviu-se de novo aplausos para Frelimo e Armando Guebuza.

O edil fez várias promessas durante a campanha eleitoral, e os munícipes estão a cobrar. Mas o edil permanece indiferente. Um dia antes das eleições gerais e provinciais de 28 de Outubro, os residentes do bairro 1° de Maio queriam dar Cartolina Vermelha ao Nhancale, devido a promessas não cumpridas. Organizou-se uma manifestação que só foi controlada porque o edil e seus sequazes não foram para lá. Acredito que a primeira coisa a fazer seria levar os homens da Polícia Municipal para intimidarem os residentes, e demostrar poder e prepotência. A verdade é que os matolenses estão zangados, estão fartos de viver numa cidade onde a edilidade é inoperante.

Falamos numa das reflexões do Mito da Caverna, do facto de alguns troços estarem entregues à sua sorte e não há um plano concreto e visível para melhorar a circulação de pessoas e bens na Matola. Falamos de uma rua que poderia muito bem descongestionar, a Avenida Josina Machel e reduzir o tempo de viagem até a zona do Benfica, saindo da Machava Socimol e Nkobe. O que está acontecer neste troço é que os município está já a duas semanas a depositar areia vermelha que está aos montes mas de forma muito infantil e desorganizada. As crianças vão transpondo a areia e espalhando-a, a edilidade vai lá de quando em vez, deixa areia e desaparece. Estranho! Porque é que não fazem um trabalho sério na via de uma vez por todas, é para pensarmos que estão a trabalhar levando areia vermelha aos poucos para Nkobe? Trabalho sério significa celeridade, flexibilidade e responsabilidade mas não podemos dizer isto em relação ao que fazem. Que pena.

Aquela rua senhor presidente, era usada também por um dos seus vereadores na ida e volta do serviço, quando a situação ainda estava estabilizada, porque para quem sai de Khongolote, Matlemele, 1° de Maio em direcção a Machava e Matola, é mais prático passar de Nkobe, mas desde que a situação piorou, ele desapareceu da circulação. Agora, queima mais combustível usando avenida Eduardo Mondlane para depois entrar pela 4 de Outubro e seguir o desvio da Zona Verde para os seus aposentos. Esta é uma prova clara que vocês tem muito que fazer na Matola, partindo de iniciativas pouco onerosas como esta, que é só colocar areia vermelha para facilitar a circulação de pessoas e bens.



Os bairros da Liberdade e Fomento, tem um problema de escoamento de águas, e em tempos de chuva é insuportável visitar estes bairros. Foi feita uma vala de drenagem na esperança de se melhorar a situação mas a estão a contrariar o trabalho feito antes, há uma explosão de edifícios no local onde era suposto estas águas desaguarem, e o futuro dirá ou confirmará a vossa negligência. Quem semeia vento colhe tempestade.

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

DA INTOLERÂNCIA POLÍTICA À IGNORÂNCIA DOS INTELECTUAIS

Todo processo revolucionário no mundo teve seus precedentes e todos somos chamados a intervir de várias formas. Uns contribuem para revolução através da arte, da ciência, política, e de outras tantas formas que revelam aquilo que é o dom e qualidades individuais. O debate aceso na blogosfera e na imprensa, tem estado a mostrar o quanto os intelectuais moçambicanos estão interessados em dar seu contributo para consolidação da democracia e justiça social. Os debates são interessantes, talvez seja por isso que o presidente da república Armando Emílio Guebuza, através do seu blog, decidiu juntar-se a este grupo de cidadãos que no seu dia a dia, procuram pensar e partilhar ideias sobre o desenvolvimento do País.

O debate na blogosfera tem os olhos postos no acontecimento da actualidade, as eleições de 28 de Outubro. Vejo alguma tendência que mais se parece com intolerância política, pois a abordagem dos assuntos e a exposição dos pareceres, tem como base as cores partidárias e não olha para o conteúdo e o sentido dos argumentos. O extremismo se reflecte ma bipolarização dos intelectuais, onde encontramos os famosos Apóstolos da Desgraça e os Puxa Saco. Encontramos também muito que se refugiam na auto-vitimização, para granjear simpatia e aplausos e consagração como heróis, os bons da fita, eternos lutadores. Outros são mais maquiavélicos, autênticos lobos vestidos a carneiro. Mas todos tem uma meta, um kit de regalias e bem estar.

No meu entender esta bipolarização da massa intelectual, tem como base a intolerância política existente nosso país, que se manifesta em todas formações políticas. Não raras vezes, através de discursos bélicos, os membros de vários partidos demostram o quanto não admitem a coexistência e convivência política pacífica. Expressões como, vamos depenar, vamos assar, vamos pilar, vamos esmagar, quando chegar a nossa vez vamos mandar prender o fulano e o sicrano, demostram que os partidos políticos moçambicanos, não teria nenhum receio em submeter o país a uma paz armada.

Todos tem um espírito que os move a uma paixão sobre Monopartidarismo e exclusão social. Querem por exemplo tirar riqueza dos ricos e dar ao pobres e se perpetuarem como únicos dirigentes justos e habilitados em Moçambique. Ao tirar riqueza dos ricos e dar aos pobres é na minha óptica uma forma de exclusão social dos ricos. Mas queria aqui chamar atenção para a questão do perigo oposto, pois o ideal democrático (governo do povo/maioria ) actua tanto dentro ou fora do sistema democrático, mas ainda que ele se oponha a autocracia ou tirania , quando exagerado pode tomar o lugar do seu inimigo (autocracia ou tirania) e ao invés de somente destruir o inimigo ele irá realçar o sistema que criou, é o que evidentemente poderá acontecer, caso os pais da democracia se hospedem na ponta vermelha.

Alguns intelectuais viraram ignorantes de tal forma que vestidos em pseudónimos como eternos viajantes da embarcação da cobardia, vão insultando os membros de outros partidos e os intelectuais imparciais, chamando-os disto mais aquilo, sem nunca dar a cara, pois sabem que sua embarcação é uma autêntica aventura de um político de barriga vazia, que não acredita no seu refúgio mas também não quer acreditar nos que são diferentes. Ao vestir-se a Carneiro, quando é um Lobo, este grupo pretende acautelar seu futuro, por temer a intolerância política que melhor conhece e cultiva com tamanha ignorância que ostenta.

Será disto que o país precisa? Permaneço na ignorância e apelo uma nova atitude. Temos uma frontalidade dos intelectuais que estão cientes e comprometidos com seu papel, mas alguns, ao procurar combater ditadores acabam sendo meta-ditadores.

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Paradoxos da Matola

Queria convidar Charles Darwin, para elucidar o diálogo de hoje com super-homem da Matola, El Poderoso, que disse uma vez e bem que, Se a miséria dos nossos pobres não é causada pelas leis da natureza, mas pelas nossas instituições, grande é a nossa culpa. Ai está, sua Excia., quem é o culpado pela miséria dos trabalhadores da instituição que o senhor dirige? É um facto que a massa laboral não anda contente pelas bandas da Autarquia da Matola, sente-se num autêntico regime de Tirania ( Tirania, é caracterizada pelas ameaças às liberdades individuais e colectivas. A moderna tirania é representada por políticos que não tendo mais o poder de matar ou mesmo prender o opositor, preferem usar métodos substituindo como processos judiciais por calúnia e difamação... O comportamento tirânico de um político muitas vezes pode ser visto pelo dinheiro gasto em publicidade governamental – in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tirania).

Primeiro: A massa laboral está desgastada com a nova filosofia, que não é nem tão pouco motivadora e não tem nada haver com nova “dinâmica”, o facto é que sua Excia., quando chegou ao poder, em menos de seis meses tratou de sanar sua fome e de seus seguidores directos ( vereadores, sem pasta nem competências), aumentando salário. E a massa laboral, os implementadores, a expectativa ficou gorada e lá veio a frustração. Um grande paradoxo para quem muito fala de contenção de custos, pois está mais do que claro que os gastos subiram, um cenário que as receitas não apresentam. O exemplo deste paradoxo é também o facto do edil ter reduzido em mais de 30%, o subsídio de comunicações dos técnicos superiores ( antes recebiam 600MT, agora recebem 400MT ), sob falso argumento de contenção de custos. Será este desconto que reforçou o salário dos vereadores e do super-homem? É paradoxal. Mais frustrante é o facto dos vereadores sem pasta usufruírem de um salário superior aos técnicos superiores da autarquia e outros funcionários com comprovada competência. Alguns vereadores, são tão básicos que mal sabem escrever, e se forem colocados na balança, com os técnicos sacrificados, alguns desses vereadores podem flutuar como pipocas. Para me provarem o contrário, coloque-os na balança. Vamos ao braço de ferro.

Dado que o maquiavelismo reina no corpo e na alma, pouco se importam com a vossa incompetência, mais importante é ser boss, ter carro e se piscar um pouco outras línguas, para ajudar o super-homem, tem direito a casa e ainda uma boa dúzia de palmadinhas nas costas, é só sacrificar algumas noites para traduzir, interpretar e a vida está andar. Ao frustrar a massa laboral, os quadros e técnicos da autarquia, corre-se o risco de revolta. Sei que já manifestou a humildade que vive em si, ainda que de criança, e reuniu-se com antigos quadros para pedir perdão, por ter em algum momento os humilhado. Faça o mesmo verá que só sairá a ganhar.

Os que lhe guarnecem, estão zangados, a Polícia Municipal diz que o efectivo alocado, aos locais onde super-homem acha que devem guarnecer, é muito e isso acaba criando défice noutros locais. De antes não era assim, será que a cidade está tão violenta? Mas não vão dizer, a não ser que depois de ler este texto sejam convocados para um sermão por me terem confidenciado a sua frustração. Eles dizem apenas que há sérios problemas de racionalização da força, porque super-homem, adora escolta e guarnição. Alguns perderam emprego pura e simplesmente porque não agradaram ao super-homem, foram dispensados de forma humilhante, alguns que sentem sua vida amputada, já estão a mover processos nos tribunais, mais tempo menos tempo, no banco dos réus o super-homem poderá se explicar e prestar contas pela tirania. Será possível tanta polémica em menos de um ano? E daqui a 1 ano que será da cidade? Ficam no ar estas inquietações, movidas apenas pelo alto sentido de cidadania.

Segundo: se o super-homem é apreciador da música ligeira moçambicana conheceu Eugênio Mucavel, já falecido, vivia no bairro Patrice Lumumba, um verdadeiro cantor e compositor, uma das músicas populares da sua autoria é Patrão, nesta música ele suplica ao seu patrão para que o dê salário, pois receia ele que, sua família morra a fome. Bom, muitos trabalhadores da edilidade cantaram efusivamente esta música no fim de semana. Na terça-feira da semana passada, deu entrada no gabinete do super-homem, toda documentação para que os trabalhadores tivessem salário a tempo e hora de passar o fim de semana prolongado e festivo sem dificuldades, mas porque o edil advoga o ditado segundo o qual, a tristeza de alguns é alegria dos outros, pouco se importou, ignorou os documentos e foi ao fim de semana prolongado. Na sua casa nada falta, dizem que é incrível a flexibilidade com que despacha os assuntos que tem haver com as despesas da residência oficial, onde será inquilino por mais 4 anos e mais alguns meses. Os trabalhadores ficaram frustrados, como ficaria qualquer cidadão comum. Segunda-feira, chegou o salário, muitos já se tinham endividado para que não faltasse pão lá em casa. Mas a frustração aumentou mais. Dizem que é sempre assim, quando se trata de pagar os outros a mão de super-homem parece de Vaca, é tão dura que prefere ignorar os mais elementares direitos das pessoas.

PS: O cofre do banco contém apenas dinheiro. Frustar-se-á quem pensar que nele encontrará riqueza -Carlos Drummond

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

País do medo

Embalado na trsiteza de viver num país,
Ou se calhar na ópitica de Manguana, um sítio
Vou ejaculando no dia a dia meu descontentamento
Perante esta inverosimil cobardia do meu tempo

Camunflar-me poeta, é uma loucura que só teve vasão em Craveirinha
Nestes tempos é só comprar pomada e cuidar dos tiganás dos chefes;
Vestir a capa de crítico, é condenar-se a ter a morte que teve Sócrates
Se meus versos rimam ou não, meu conteúdo é erva daninha

Tenho medo e receio de viver neste país
Onde muitos sistemas vivem num sistema
E bufaria é o segredo do sucesso

Escreveu e disse bem Rui Ligeiro sobre país do medo
Confesso, que mil vezes a sicuta que viver como puxa saco
Acredito na mudança e meu filho viverá esse mundo
Com o qual tanto sonho

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Um génio chamado nhancale

Diz uma adágio popular que, « Abençoado aquele cuja fama não brilha mais que a sua verdade», não quero meu corpo brilhante, não quero meu rosto como ouro sobre o azul, o mais importante é partilhar com os demais, aquilo que considero verdade, respeitando para o efeito a relatividade que sempre perseguiu a verdade. Triste para mim é quando alguém ousa, em pleno século XXI, anunciar verdades formais, que servem para fazer o boi dormir. Quando questiono essas verdades, sou tido como o apóstolo da desgraça. Só mesmo um génio para tanta ousadia.

Em nenhum momento, meu caro, poderei citar nomes de descontentes pois estes não cabem no Mito da Caverna, mesmo de coubessem não o faria por uma questão de bom senso e protecção da vida e do ganha-pão destes. O discurso neste momento é de que, fale quem quiser falar mas daqui ninguém nos tira, pode até ser verdade, pode sim porque vos alegra serem maus servidores da pátria, vos alegra manchar o partido que vos deu a faca e o queijo, mas não se esqueçam de que vivem numa cidade, num país, onde o povo tem poder, tem força, e a vossa vez irá chegar.

Quantos munícipes não vivem um sentimento de arrependimento neste momento? As promessas não foram feitas ao autor destas linhas como pacato cidadão apenas, como integrante desta cidade, mas acima de tudo para o povo matolense a maioria. O autor destas linhas não ocupa dois espaços ao mesmo tempo, não tenciona contrariar a Física, mas as reclamações vem de tudo quanto é canto, e todos são unânimes em afirmar que: a Matola parou. A Matola ainda vai permanecer estagnada, o seu edil parte para mais uma jornada de demagogia, vai fazer campanha para o seu partido, irá passar por onde passou antes das eleições autárquicas a pedir voto, desta vez não para ele, mas para seu chefe.

Ele irá anunciar os ideais políticos, que como disse Giovanni Sartori (cientista político italiano especializado no estudo da política comparada), não estão para ser convertidos em realidade mas sim para serem desafiados, sua concretização não passa de uma miragem, um sonho. Atenção camarada, seu portador de mensagem pode não ser um canal correcto e o impacto do facto dele ser mau exemplo neste momento, pode ser muito fatal.

Muitos matolenses perderam confiança que nunca ganharam do seu edil, e os preconceitos em relação a imagem deste, podem ter um impacto negativo sobre o comportamento do eleitorado, e aí quem vai perder? Perder não é não ganhar, perder é não alcançar as metas, sentir que a batalha foi madrasta. Isso sim, é perder.

Que promessas irá o edil fazer, de certeza são promessas macro que é o tamanho do escrutínio de Outubro, mas se até as micro promessas não tem capacidade de concretizá-las que será dos desafios que será encarregue de anunciar? Posso estar errado, mas enquanto não me provarem o contrário, não irei mudar de posição. Quem pede energia eléctrica em Khongolote, Intaka, Matola Gare, Matlemele, Nkobe, etc., são os munícipes.



Quem quer estradas melhoradas conforme as promessas, Pontecas para atravessar o rio Mulaúze etc. , é o povo, aliás porque não compensar o povo também da mesma forma como estão a compensar os canais que vos levaram até aí. Mas não é só o povo que está a ser traído, algumas caras bonitas que ajudaram a polir a imagem do edil para que assim fosse, estão na rua de amargura, e a boca está no trombone. Estão fora do controle do edil, e assim fica mais complicado. Um conselho de um pacato cidadão, procure reverter o cenário com base no diálogo sincero, pois como dizia Dom Bosco, O mundo é um espelho: se sorrires para ele, ele sorrirá para ti.

Há uma canal de drenagem de dinheiro vestido a concurso público e transparência, mas na hora da inspecção, seria bom questionar-se aquilo que meu professor de estatística me ensinou que era moda. (Em estatística descritiva, a moda é o valor que detém o maior número de observações, ou seja, o valor ou valores mais frequentes. Ex.: A moda de maçã, maçã, banana, laranja, laranja, laranja, pêssego, é laranja porque laranja aparece mais vezes que as outras frutas). Esta moda tem um antecedente muito forte na conspiração, e talvez esta seja a forma de compensação. Sorria, mas esta é verdade, e Sua Excia sabe do que se trata.

Ilustre, Deus coroa não os teus méritos mas os Seus dons, como dizia e muito bem santo Agostinho, crie espaço para trabalho não apenas para si mas para os seus secretários, seus sequazes eles podem até ter capacidade mas ela precisa de ser moldada, o que só é possível se tiverem competências. Não se orgulhe por estar ladeado de yes men, eles passam a vida a ti bajular, ofuscam seu dom ( se é que possui, se possui está numa fase embrionária) porque tentam te fazer crer que suas acções estão empanturradas de mérito.

Não quero contrariar os Gregos, eles tiveram o mérito de inventar a roda, e ao basear-me em pensamentos de grandes homens, é apenas para lhe dar a ideia de quanto o senhor está a margem dos homens queridos, venerados e adorados pelo povo, pois como dizia, James Allen, Os bons pensamentos produzem bons frutos, os maus pensamentos produzem maus frutos. . . e o homem é seu próprio jardineiro.

terça-feira, 1 de Setembro de 2009

El Fora da lei

Já não basta o facto do elenco de arão nhacale ter provado com a+b que em matéria de governação pouco ou nada sabe, que goza de uma invejável ignorância em matérias de gestão do bem público. Na semana passada estivemos falar de incompetência patológica, esta semana, queremos partilhar as tristes lições de ilegalidades na Matola.

Falamos do salário ilegal que nhancale e seus vereadores usufruem, uma remuneração que até semana passada não havia sido aprovada pela Assembleia Municipal, como forma de passar um paninho quente, o edil na sessão da semana passada anunciou aumento para os membros da Assembleia, que já reclamavam também este direito. A condição da negociação foi que aquele órgão devia aprovar o aumento salarial do edil e seus sequazes, e para compensar os membros teriam também aumento com efeitos retroactivos. Que palhaçada. A verdade é que o salário de todos foi aprovado, a edilidade e a casa do povo estão em pé de igualdade. Isto tudo para contornar uma possível devolução dos valores sacados dos cofres ilegalmente. Em suma houve roubo, passando-se perna a lei.

É triste correrem para o aumento salarial quando as receitas do Município estão em queda livre, como aliás, Samo Gudo denunciou na última sessão da Assembleia Municipal, e todos concordaram que a oposição tinha razão. Na mesma sessão, o edil apresentou a II Revisão Orçamental em menos de um ano, uma proposta que foi surpresa para Frelimo, pois o edil gazetou o encontro de discussão a nível dos camaradas e surpreendeu a tudo e todos com o documento. Resultado, a própria bancada dos camaradas está alheia a segunda revisão. O órgão de tutela deve acautelar a aprovação das contas de El Fora da lei, sob risco de entrar neste círculo viciado de ilegalidades e aberrações.

Olhando para o Artigo 4, alínea a) conjugado com o Artigo 9, n.3 da Lei 1/2008 de 16 de Janeiro, constatamos que segundo o primeiro ha uma obrigatoriedade de publicação do orçamento em Boletim da República e o segundo fala das garantias dos contribuintes em não pagarem impostos que não tenham sido afixados de acordo com a lei. Como falar de orçamento da autarquia se este não consta no B.R, os impostos que os munícipes pagam não estão em B.R, portanto são ilegais. Ilegal é também o facto dos nossos nobres dirigentes da autarquia não terem feito declaração dos seus bens apesar da lei exigir que o façam até pelo menos 30 dias depois da tomada de posse, passam hoje seis meses e nada.

Apelo aos juristas lúcidos para que façam uma introspecção na autarquia, que salvem a Matola, pois a continuar-se neste ritmos, por ignorância os nossos dirigentes podem responder por crimes públicos. Divulguem as leis, principalmente a Lei da Violência Doméstica, porque parece que os modus vivendi e operandi domésticos destes senhores se espelham no seu quotidiano, no seu desempenho na autarquia.

Durante dez anos a Matola teve um crescimento qualitativo de quadros, mas quando mudaram os tempos, e obviamente para o pior, os quadros que nos custaram impostos foram marginalizados em nome de nova dinâmica, uma dinâmica que culminou com facto inédito e vergonhoso, isto é, em seis meses, um vereador pediu demissão, um foi exonerado, e a do lixo vem ai, pois dizem as bocas ser a próxima vítima, e um incompetente, vai vestir a capa de vereador, dizem até que já se acha, a ele desejamos boa sorte, boa viagem a sarjeta. Em jeito de arrependimento e com falta de vergonha, o edil convida agora alguns antigos vereadores para vestirem a capa de directores, por mim não aceitavam porque já foram humilhados demais. O edil está a procura de vítimas e vai apanhar, segurem os vossos estômagos e não acatem com os convites, são presentes envenenados.

Os camaradas estão arrependidos, tal como o povo, isto é todos nós estamos mergulhados neste sentimento e somos obrigados a discordar com o pensamento segundo o qual, nunca nos podemos arrepender por ter feito algo mas por não ter feito nada e concordamos a Madre Teresa de Calcutá quando diz que, quem não vive para servir não serve para viver. Portanto estes senhores que escolhemos não servem para viver.

Atenção Khongolote, 1º de Maio, Dhlavela, Intaka e todos aqueles que viam uma salvação na estrada Zona Verde Khongolote, o discurso mudou o projecto está em banho-maria, e não é para já. O edil vos prometeu e nós testemunhamos, mas já não tem coragem de vir dizer que o que disse era mentira. Perdoem-no não sabe o que diz muito menos o que faz.

terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Quando a incompetência vira patologia

Numa definição rápida, Incompetência significa inabilidade de alguém de desempenhar adequadamente uma determinada tarefa ou missão, e Patologia está associada as reacções básicas das células e tecidos a estímulos anormais provocados pelas doenças. Em suma, o que pretendo dizer aqui é que a incompetência que reina na direcção máxima da autarquia da Matola pode estar aliada a uma doença, o mais provável, uma doença mental. Não chamo aqui ninguém de demente ou coisa assim, mas um estudo científico e uma análise clínica pode ajudar a omitir uma opinião acabada. Mas enquanto isto não for feito minha dúvida metódica prevalece.

Queria saudar a ironia que o vereador da juventude me mandou em formato de mensagem s.m.s., felicitando-me pelo texto. Jovem que é, devia saber que o que eu escrevi semana passada, foi um artigo de opinião e não reportagem, isto por lado, por outro, pouco a mim importa se o seu chefe, seus colegas gostaram ou não do artigo, o mais importante é que emiti a minha humilde opinião, e a Constituição da República, a lei mãe me reserva esse direito. E por último, saiba que cajú maduro cai sozinho e se vai ou não até ao fim do mandato, pouco importa, pois quem está perder sono pensado como camuflar a incompetência diária é o senhor.

Directo ao assunto: Queria partilhar com os leitores ( não abutres) uma premissa que pode estar por detrás da estagnação da cidade da Matola, é que os mais velhos lembram-se que em tempos o país teve ministros e governadores sem pasta, a Matola agora está a repetir a história, isto é, os vereadores de Arão Nhancale não tem pasta, não tem competências, são personagens figurantes, na verdade, o súper homem é o edil.

Meus caros, como pode avançar a Matola se os ministros de nhancale ( entenda-se ministros como vereadores ) nada podem decidir nos seus pelouros? Em nome de dinamismo, novas apostas, no dia 5 de Fevereiro, Nhancale apresentou novas caras, mas de lá para cá são decepções atrás de decepções.

Três vereações chaves estão nas mãos de assessores fantasmas. A Vereação para Administração Municipal e Desenvolvimento Institucional, perdeu vereador no dia 5 de Fevereiro, o argumento era de que ainda se estava a procura de alguém, o tempo foi passando e agora em círculos restritos o argumento do vazio é que uma vez jurista, o edil conhece a área e facilmente pode manipular, isto cheira a ovo podre. Este argumento é falacioso na medida em que, não basta ser jurista para se ser bom gestor de recursos humanos e da administração da autarquia, o resultado é a fuga maciça de quadros, quadros estes que o edil a todo custo os bloqueia de seguir em frente negando com as guias, exigindo que vão para o seu gabinete ajoelhar. Numa dessas vezes o governo provincial teve que intervir, para colocar ordem naquela cidade, que virou um verdadeiro rio onde se pratica pesca de homens. Uma vez mais, uma nódoa na camisa branca da FRELIMO e o arrependimento está ai.

Outra vereação entregue á sua sorte é das Finanças e Património, desde que Fernando Assona, pediu demissão fala-se de uma assessora, que ajuda Nhancale, e uma vez jurista o edil também conhece as contas, aliás já dizia, Boaventura Sousa Santos, sociólogo português, na obra Introdução a uma Ciência Pós-Moderna, que as ciências exactas estão em vias de se tornar ciências sociais. A verdade é que muito dinheiro entrou nos cofres do município no mês de julho, mas não há registo de despesas relevantes. Não se é bom gestor por acumular dinheiro, é preciso usar para mostrar competência, mas dado que a incompetência virou patologia e tudo está concentrado no super-homem, nada é feito. Esta é uma área chave de tal forma que, é preciso ter alguém a tempo inteiro a responder por ela, pois o super-homem anda preocupado e bastante ocupado com a caça de homens, e isto de nada ajuda no desenvolvimento da autarquia. Adenda: super-homem, na prosperidade o homem esquece aquilo que é, não se deixe enganar.

Existe na Matola uma vereação muito polémica, a do Planeamento Territorial e Urbanização, no dia 5 de Fevereiro foi-nos apresentado, Rolando Meque Mudiwe, como titular da pasta e num comício público, o super-homem, disse ao povo que caso aparecesse alguém diferente de Rolando Meque a tratar de assuntos ligados a gestão da terra, devia se manyar a pessoa (manyar significa apertar, apertar de grampear para a vitima sentir dor), e foi o que aconteceu tempos depois com secretário do bairro de Matlemele, foi grampeado escapou ao linchamento por pouco, seu antigo colega agora seu chefe, Milagre Manhique (antigo secretário de Infulene, agora chefe do Posto Administrativo da Machava ) veio e tratou de levar o homem a cadeia, como se de um criminoso se tratasse, era o início de tudo. Ao dizer, Mu Manyete (numa tradução livre significa, apertem-no), o super-homem instava indirectamente violência, agressão e semeava medo e terror nos seus colaboradores. Rolando Meque fez o que seu chefe o mandou, uma vez que não tinha competências nada podia fazer a não ser preparar expediente para o super-homem assinar, despachar como lhe fosse conveniente. Rolando Meque, não teve espaço para mostrar trabalho porque não tinha competências, ficou abandonado, quadros fugiram e outros foram movimentados, numa clara demonstração de poder e prepotência. O super-homem foi apertado, principalmente pelos camaradas, que estavam frustrado e com razão, com o facto da cidade ter parado de desenvolver, ele disse ter sido mal interpretado e entendido, e abateu Rolando Meque.

Em suma: os vereadores de nhancale, não tem pasta nem competências eles são uma espécie de secretários, cuja missão é preparar o expediente para o seu chefe. Eles nunca podem dar respostas acabadas sobre seus sectores porque na verdade o edil, o super-homem, é vereador em absoluto. Ele conseguiu em cento cinquenta dias, deter controle implícito da Matola, puxando para si as vereações aqui arroladas, tomando decisões e manipulando o sistema. A ambição de poder absoluto, estendeu-se até ao partido, era ideia do super-homem, que o Primeiro Secretário da Frelimo na Cidade da Matola fosse homem das suas vontades, e um vereador até foi colocado na corrida, mas foi vaiado pelos membros da Frelimo, que se sentem agora traídos pelo edil.

Nhancale e seus vereadores usufruem de um salário ilegal, que não foi aprovado pela Assembleia Municipal, isto é, o super-homem, apesar de “conhecer” os meandros da legislação autárquica, passou por cima da lei, aumentou em 60% seu salário e dos seus sequazes. Se a ideia era arrumar a casa porque correram para acertar os problemas dos vossos estômagos, aumentado salários, sob argumento de que quadros superiores devem ter subsídio técnico, como se os vossos diplomas e certificados fossem prova da vossa competência. Agora terão que devolver o dinheiro aos cofres do município, porque tiraram-no ilegalmente.

Dizia Anatole France ( Pseudónimo do escritor francês Jacques Anatole François Thibault, que viveu entre 1844-1924), que a escuridão envolve-nos a todos, mas, enquanto o sábio tropeça numa parede, o ignorante permanece tranquilo no meio da sala. E porque o povo tropeça na escuridão que vocês criaram, reina alegria e satisfação da vossa parte. Tem razão o camarada que disse, e passo a citar: nós ali falhamos. O povo sabe e jamais esquecerá.