sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Combate ao crime e o perigo oposto

Meus companheiros da academia que me perdoem pela ousadia, meus mestres que puxem as orelhas, pois sem autoridade muito menos legitimidade atrevo-me a usar dizeres do sociólogo, filósofo Giovanni Sartori mas não podia resistir, quero partir da premissa deste ou seja, O perigo Oposto para dizer tudo que me vai na alma e na razão.


A criminalidade está em alta na província e cidade de Maputo, porquê? Bom podia dizer que estamos na capital político-económica e na antiga cidade industrial do país dai que os malfeitores tem na província como seu alvo. O curioso é que os agentes da PRM são apontados com dedo acusador, dizem as vozes que eles são incompetentes. Mas até que ponto? Bom por um lado pode se considerar uma validade material desta posição na medida em que alegando falta de condições, os agentes sem envolvem em esquemas de corrupção vendendo a tranquilidade pública para garantir o seu sustento; mas também podemos olhar a questão noutro ângulo, isto é, temos um cenário em que quanto melhor equipada é a policia mais eficientes são os malfeitores, senão vejamos. A experiência já nos mostrou que a tendência dos índices criminais é de subir e sempre subir, e num esforço redobrado aloca-se alguns meios, há parcerias para formação de agentes, e o resultado? Nada. É que me parece que a formação é dada aos assaltantes que a própria polícia.


Os malfeitores assaltam estabelecimentos em fracções de segundo e a policia dá resposta séculos depois. Porquê? Não sei. Casos de assaltos aos bancos são algo novo na Matola mas roubo de patos não. É caso para dizer que o desenvolvimento tem algumas influências nefastas na sociedade na medida em que são novos empreendimentos que atraem ladrões, fazem nascer corruptos e corruptores.


Não quero negar o desenvolvimento, aliás estou a favor e disposto a dar o meu contributo, mas é preciso que se tome em consideração que quanto mais um país, uma região uma cidade evolui, é preciso implantar novas estratégias, ter um outro tipo de liderança, o que não significa necessariamente a mudança ou troca de ninguém mas antes de mais a capacitação, formação de homens capazes de entrar firmes para a aldeia global.


Voltando ao perigo oposto, este axioma sugere que quando exageramos na luta pelo bem podemos não destruir o mal mas substitui-lo, isto é, trocar o mal pelo mal. Vamos exigir segurança à policia mas não de forma exagera para não corrermos o riscos de sermos ditadores, pois ao ditarmos as regras à policia irémos criar desordem na sociedade. Vamos sim humildemente contribuir, colaborar, não corromper. Os bufos também devem ser humildes não anunciarem perfeição que não buscam, e mesmo se o fizessem estaria a navegar na utopia.


Não quero ser pessimista mas é preciso ter cuidado com o perigo oposto nas exigências e promessas que são feitas, aliás Giovanni Sartori diz que é mais fácil avaliar o produto de um mercador porque este é consumido directamente pelo público mas do político não porque não é apalpável. Quem muito luta pela justiça poderá se tornar injusto; quem muito luta pelo bem poderá se tornar maldoso; vamos buscar o meio termo, somos uma sociedade evoluída que já não usa a emoção para agir mas a razão para se guiar.


Queria apenas compartilhar o pensamento de Miguel de Unamuno, eles dizia somos mais pais do nosso futuro do que filhos do nosso passado.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Carta aos pensadores do meu tempo:

Caros,

Há muito tempo que não escrevo, não compartilho meu pensamento e sentimento com ninguém, mas fiquem seguros de que a insegurança é que me desvara do círculo de ideias e pensamentos. Algo me despertou, me acordou do profundo sono, da letargia coberta de angústia, os Corrupção, corruptores e corruptos.

Ouvi algures que os Magerman’s, os tais que lutam pelos seus Marcos ( não os que são usados no parcelamento na Matola mas a moeda alemã ), queriam linchar um desfavorecido hoje confundido com um corrupto, o discurso tinha haver com as obscuras ou menos claras negociações entre o governo e aqueles nossos irmãos que a mais de uma década e meia, exigem a recompensa do seu suor sacrifício e paciência.

Nossos irmãos que importaram o panck maluco (estilo de corte de cabelo), roupa de Napa, os estilo dos UB 40, motos MZ, TV’s a cores, mulheres e comportamentos; são nossos compatriotas que vieram com ares de vencedores, homens viajados, trouxeram consigo estilos, hábitos, bons e caros hábitos, mas tudo passou.

Os Magerman’s, começaram a vender, primeiro motos, meu primo que não sabia falar a língua da pátria que não pariu Hitler ( deus da terra ), já tinha MZ e assim a história se fez. Os clubes de filmes nas casas pariram ladrões, partiram a caneta dos miúdos, desvirginaram donzelas. Dezasseis anos depois, aí estão as vozes, queremos o dinheiro que trabalhamos. Será mesmo possível que o galo vai dar tudo? Só se eu entrar na água um dia e não sair molhado.

Guerra no seio dos Magerma´s! Sim já começa haver ambição, ganância, engoísmo, características da corrupção, de corruptos e corruptores. Querem assar Mawai, não sei se eles tem razão ou não de tal posicionamento, mas nada justifica tal atitude, quem vai sair a perder são os Magerman´s, que vão perder subsídios, haverá guerra no seio do forúm e o governo vai suspender os pagamentos. Quem está meter água?

Estou triste e decepcionado, porque nós ainda acreditamos na utopia, acreditamos que existe um país sem corrupção, corruptores e corruptos. Estou triste com os intelectuais que são cúmplices, cartesianos, e o povo a espera do futuro que os filhos terão, morre com o olhar pendurado no prato do bife que transborda, nos pratos dos nossos ilustres intelectuais dirigentes.

Intelectual deve estar ao serviço do povo e nós em Moçambique não temos intelectuais, pois os que eram supostos ser, não tem consideração para com o outro, são corruptos, obrigam a sociedade através do sector público a ser corruptora, levam o país ao sistema político moderno que é a corrupção.

Chamo corrupção de sistema político, porque é ela que ordena e coordena, é ela que faz com que quem trabalhou a dezasseis anos atrás e colectou milhares receba migalhas, é ela que faz com que quem não tem mérito ganhe as eleições, é ela que faz com que os criminosos sejam impunes e os inocentes injustiçados, é ela que faz com que hajam empresas e escravatura, é ela que cria e implementa políticas.

Caros,

Será possível, viver num país, num mundo sem corrupção? Viver no mundo sem inverdade ? É porcausa do desvio de aplicação que, eles andam de 4w4, vivem no Belo Horizonte, nos condomínios de Malhampwene, no Tofo, Barra, Tofinho, Bilene e várias outras regiões que são um país habitado pela menoria que é favorecida e se isola da maioria que vive, no Intaka, Guava, Khongolote, Matola Gare.

Caros,

Somos todos intelectuais e vulneráveis ao desvio de aplicação, devido a nossa condição de desfavorecidos, os cúmplices e negligentes vivem a custa das lágrimas do povo. Se estamos no país justo, que se devolva o bolo completo não em pedaços porque ainda que tenha sido enviado aos pedaços não eram tão menores como estão a receber! É preciso dar pão, água e cobertor as flores que murcham todos os dias, nos roda pés dos passeios da cidade cobrindo asfalto.

Caros,

Quando alguém, no seu trabalho, na mais absoluta falta de cidadania, solicita, recebe ou aceita uma vantagem indevida em troca de algum acto que deverá praticar ou deixar de praticar, comete o crime de corrupção. Quem nunca cometeu?

Eu não peço que os corruptos o deixem de ser, antes pelo contrário, do mesmo jeito que desviam a vida em sociedade para o mal, podem nos corromper e sermos uma sociedade do bem. Podem fazer de nós palhaços, como o fazem em comícios populares e reuniões mais caras que a vida da nossa sociedade, mas por favor também sofremos e temos vontades.

Não sabia que a vida em si era corruptora, corruptível e corrupta, senão teria dito aos pais que não me nasceram a não me trazerem a terá que Deus não prometeu. Por isso convido, aos decepcionados, sugados aproveitados usados e abusados, a voltarem comigo para o mundo que não sei se ainda existe.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Glória á kota Glória


Vi no mês de Agosto, uma cor diferente nas paredes do edifício sede da RM, até no famoso primeiro andar, panfletos e cartazes, era só vota em mim, para melhorar a sua vida profissional, qualquer coisa parecida, mas era campanha para o nobre cargo no Conselho de Administração, o felizardo ou a felizarda seria representante dos interesses e desinteresses da maioria no primeiro andar.

Eu também queria votar, em quem não interessa agora citar, também porque o voto é secreto, mas uma nota cortou-me as esperanças depois de eu prometer voto a figura que me inspira confiança, que mesmo assim não vou revelar, vi me no banco de suplentes a rezar pela nossa vitória.

Houve casos de colegas que resolveram suas vidas no decurso das eleições, os candidatos, aparentemente folgados ajudavam a todos, eram os salvadores da rádio amada. O mês foi de festas, bebidas, comidas e tudo que agrada aos profissionais da Rádio Moçambique, diga-se de passagem que há quem mudou de visual até de quilos.

Os putos/rapaziada da Rádio Cidade, da qual eu faço parte eram os menos agitados, não que eram indiferentes em relação ao facto, mas porque a comissão lhes minhou. Mas o resto da malta girava nos corredores como Ten Years em plena madrugada num armazém de arroz que anda escasso na praça.

Vi um partidário de quem não sei, em plena tarde a destruir panfleto, e na minha inocência saudei, e ele: boa tarde estamos a trabalhar - essa registei e contei aos putos do Canal,virou conversa, mas juro por mim mesmo nunca dizer quem foi. Os candidatos todos eram fortes, promissores e com propostas concretas, gente humilde e com visão, mas no final das contas a alma que Deus fez com osso do homem mostrou-se mais forte.

Dos microfones a poltrona, lá se foi cota Glória

Duas senhoras, com voz que Deus concedeu-as e deixou a cópia no cofre, tia Lú e tia Glória, quem seria a vencedora. Os outros murcharam com flores apoquentadas pelo calor, as senhoras e os seus seguidores abundavam mais os corredores e untavam as paredes com todo tipo de material publicitário. O resultado chegou! Espreitei da coordenação eu e outros mirones vimos a contagem de votos - hihihih Glória está a bater- dizíamos todos, era felicidade para uns e tristeza para outros, vi garrafas de champanhe a entrar na Rádio, suponho que era para comemorar a vitória, pois caso contrário é proibido.

Glória Muianga venceu, os outros nada mais poderiam fazer a não ser ajudar a RM a avançar, como sempre o fizeram e esperarem pela próxima que de certeza irá chegar, aliás a maior recompensa do nosso trabalho não é o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos transforma, já dizia John Ruskin.

A tia Glória vai um conselho: Quem não cultiva o hábito do trabalho contrai o vício da preguiça. Sei que nunca foi o seu lema.Boa sorte

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Matola hoyé

A noticia chegou-me de surpresa, e não aguentei logo via meu pobre telefone celular enviei mensagens sms que não tenho aos meus amigos, anunciando a boa nova, Matola subiu.

Passamos do nível C para B e o prestigio para nossa cidade aumentou, atenção que está vitória é um bem comum não é de nenhuma pessoa individual, e é mas consideração para a cidade que muitos ainda a julgam como casa de campo.

Ostenta a Matola quintas, casas de campo, mas a Matola tem filhos que lhe adoram e é o esforço de pouco mais de 600 mil habitantes que ela hoje é o que é. A Matola tem indústrias, fábricas, bancas e barracas, casas de construção com material convencional e também casas de construção precária, a Matola tem amigos e inimigos, tem defeitos e qualidades mas a Matola tem uma coisa hoje, uma vitoria, que é resultado desta combinação do bem e do mal, do belo e do feio, do agradável e desagradável.

Festa ontem, festa hoje e festa para sempre nosso lema como Matolenses de mão cheia que contra, a favor, neutro ao regime, as ideologias, confissões religiosas, vão lavrando no duro chão que a vida nos proporciona, para esculpir a cidade bela que caminha rumo a capital da cultura.

Esqueçamos hoje as diferenças pois com elas conquistamos a vitória que partilhamos hoje, pois ao passar de C para B a Matola confere ao seus munícipes um outro status, não somente ou necessariamente bens materiais, mas prestígio social que é o que mais alivio dá ao homem, pois pão sem paz não enche barriga mas paz sem pão mantém viva a esperança de um dia conseguir pão.

A disciplina é a parte mais importante do êxito, diz um velho ditado e espero que Deus todo poderoso criador do céu e da terra, e de todas coisas visíveis e invisíveis a cada dia que passa nos torne homens fortes como o herói grego Aquiles.

Só existe uma forma de êxito - ser capaz de viver a vida de acordo com a própria consciência.

Por ultimo gostava de dizer que Vencer não é nada, se não se teve muito trabalho; fracassar não é nada se se fez o melhor possível.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

De nada nunca vem nada, assim reza o velho ditado

Os episódios que vivemos nos dias que correm parecem mais de um filme de terror ou uma ficção que só um bom escritor pode escrever. O que em tempos era realidade dos sonhos dos paranóicos, hoje em dia é a base da vida de indivíduos que não sei se são frustrados, ou descontentes ou ainda obras de mão enquadramento na vida de uma sociedade.

No meio disto tudo pergunto se estamos no estado Natural de Thomas Hobbes, este filósofo moderno que afirmava que no estado Natural cada um procura senão a morte, ao menos a sujeição do outro, é um estado extremamente infeliz. As expressões pelas quais Hobbes o descreve são célebres: o homem é o lobo do homem; e é a guerra de todos contra todos.

Mais adiante Hobbes chama atenção para que não pensemos que os homens mais robustos desfrutem tranquilamente as vitórias que sua força lhe assegura. Aquele que possui grande força muscular não está ao abrigo da astúcia do mais fraco. Este último sempre é o suficientemente forte para vencer o mais forte. Pois, em definitivo, ninguém está protegido; o estado natural é, para todos, um estado de insegurança e de angústia. E nós onde e como vivemos?

E no nosso dia a dia o cenário que vivemos leva-me a crer que estamos no estado natural de Thomas Hobbes, aqui vive o peixe de boca maior os peixinhos, esses serão abocanhados. No País dos heróis esta posição é assumida por criminosos que semeiam medo e terror em todo quanto é lado, em certos casos chegam a ser mais fortes que a própria policia.

Hobbes afirma que os homens, devem se encarregar de estabelecer a paz e a segurança. Só haverá paz concretizável se cada um renunciar ao direito absoluto que tem sobre todas as coisas.

O triste cenário que caracteriza a nossa vida com factos inexplicáveis investigações sempre em curso e os resultados nunca nos são revelados, tudo se resume em: estamos a trabalhar no caso não podemos dar detalhes para não deturpar a pesquisa, de facto não é intenção nossa deturpar as investigações mas estamos cansados de esperar.

Finalmente, de nada nunca vem nada, quem foi morto é porque houve motivos que desconheço, que está a ser injustiçado não é por acaso é a história da alegria de um que é tristeza do outro e que infelizmente guia nossas mentes.

De nada nunca vem nada por isso respostas como, desconhecemos os motivos da morte, afluência de marginais, criminosos está pouco esclarecida numa sociedade que já usa a razão para guiar a sua vida.

Sei que é utopia o estado perfeito exaltado por Platão na sua obra a República, e não quero aqui cobrar.

Mas será que estamos a formara homens para o amanhã com as intensivas formações de atiradores, muitos deles que depois do SMO chutam o desemprego e a qualquer momento poder sentir saudade da arma e ao pegá-la irá acontecer o que está acontecer.

Será que estamos a garantir emprego e salário justo aos recém graduados? Esta é uma cadeia de perguntas que suas respostas podem surtir outras mais complexas que terão respostas absurdas.
Mais não disse

O adeus antecipado ao amante da cultura

Pouco acreditava eu que podia um dia conhecer um político que ama a cultura, talvez tenha sido má percepção ou interpretação minha do ser político, ou tenha sido um hábito que fui ganhando ao longo do pouco tempo de vida que tenho, pois não me lembro de ter conhecido outro que fosse edil e embaixador por assim dizer da cultura.

Ressuscitou o antigo cinema 700, que hoje é Auditório Municipal da Matola; homenageou Gito Baloi; Fanny Fumo; juntou homens de guitarra, dos melhores do continente africano e de outros continentes que minha avó não conhece nem pelos nomes, todos cantaram e encantaram; lançou o seu segundo livro intitulado Relações Afro Árabes: Convergência e Divergência, com o selo das colecções Mbokodo, comeu-se, bebeu-se mas o livro só chegaria a Maputo no dia seguinte pois foi impresso num país vizinho e não chegou no dia do lançamento, foi lançado e quem saiu de lá com livro foi uma e única pessoa que teve a sorte de ser oferecido pelo intelectual Carlos Filipe Tembe.

Lembro-me dos tempos do João País, a quem o edil da Matola, Carlos Tembe apresentou como gestor do Auditório Municipal, naquele dia em que o velho Cinema 700 apresentava outro rosto novo rosto, descreveu o percurso histórico daquele homem que já teve sucesso na gestão de espaços como o Auditório Municipal. Todos nós batemos palmas, políticos, empresários, a sociedade civil, familiares e amigos de todos, as palmas foram mais atiçadas quando Tembe apresentou o jovem Pinto dos Moz pipa como assistente do João Pais, víamos nos dois, João Pais e Pinto os embaixadores da cultura na Matola, salvadores da arca cultural da Matola.

Naquele dia a iluminação e o som denunciaram algumas fragilidades mas fomos obrigados a dar força ao Tembe, uma vez mais batemos palmas, passou estávamos todos alegres, o intelectual Tembe dizia os valores gastos na reabilitação do sítio, apresentava a sua Utopia jurou de pés juntos que não ia terminar seu mandato sem tornar o Auditório Municipal da Matola num verdadeiro Centro Cultural, espero que sim, falou de tudo o que lhe ia na alma e que gostava de ver e fazer, fervendo de emoções e dominado pela utopia.

Os gestores apresentados em Agosto a membros dos governos central e provincial, corpo diplomático, religiosos, intelectuais, sociedade civil quase que apanharam enfarte, foram em algumas vezes obrigados a tirar dinheiro dos seus míseros salários para pagar músicos que iam ali actuar, sintiam-se desamparados, e logo concordaram com o ditado que diz: De nada nunca vem nada, insistiram persistiram mas foram sabotados e deu no que deu João Pais alegando motivos de saúde foi embora, Pinto assegurou as pontas mas as crises foram mais fortes que sua audácia e ousadia, saiu a uma velocidade de 1000km por segundo de frustração, o Auditório Municipal foi abandonado.

Bom aquilo teria sido evitado, se Tembe e seus colaboradores tivessem dado apoio moral e acima de tudo material ao João Pais e Pinto, alguns vereadores faltaram a inauguração do sitio e delegaram seus familiares, muitos só foram no dia do lançamento do livro do edil em Agosto, mas sei que todas sextas estão na diversão e o Auditório Municipal nunca foi e duvido que algum dia será escolha, deles para lazer, isto serviria de estímulo para os trabalhadores e para os munícipes. O contacto com as massas, que acredito ser um dos pressupostos da governação aberta, seria mais valia para a vossa tarefa que agora se nos apresenta pouco clara.

Mas o pior aconteceu, eles foram-se embora, apresentaram cartas de pedido de demissão, abandonaram o que na presença de centenas de pessoas juraram que iriam assumir e fazer, bom a nós resta desejar boa sorte.

Tempos depois uma nova direcção viria a tomar posse, e está a tomar conta do sítio, mas as dificuldade prevalecem, ninguém assiste os espectáculos que são ali organizados, aquando do festival de jazz, em homenagem ao Gito Baloi, que contou com envolvimento total e completo de Tembe, as entradas até esgotavam, agora está tudo um caus, lembro uma vez que convidaram Dilon Dji Dji, António Marcos e Xidiminguane com todas expectativas de audiências, só foram para lá sete pessoas, agora o primo e a filha do perecido casal Carlos e Zaida Chongo, transpiraram para transmitir calor aos matolenses, mas meia dúzia de amigos esteve lá.

Adeus Tembe, mas educa aos seu colaboradores tal como te educaram, o apoio a Matola deve ser em acções concretas, trabalho no campo, devem ter o espírito de convívio com o povo que te elegeu, assim, te deu poder de escolher os putos que te assistem, vimos na última edição do Carnaval, sua excelência estava com vereador jurista, aquele santinho de homem.

Finalmente, adeus antecipado ao amante da cultura, sentiremos saudades do seu tempo com muitas acções concretas e com muitas promessas que terminaram nas palavras, agilizem o processo de aprovações ou reprovação dos projectos, apoiem os jovem sem contra partidas obscuras. Porque é que a cultura está no seu gabinete e já não temos uma vereação responsável pela área, é mesmo por amor á arte, á dança, ao som da guitarra, ao Mano Dibango.

Só um segredinho, dizem que alguém está por detrás do fracasso do Auditório Municipal, para depois se levar o espaço ao leilão para uma gestão privada e logo, este alguém que por sinal é um político muito poderoso e influente, vai levar para si e para os seus, aí sim teremos o Centro Cultural da Matola, não como bem comum mas como propriedade privada.
Mais não disse até para semana, com um fraterno abraço de Lázaro Bamo.

O adeus antecipado ao Carlos Tembe

Sei que em 2008 o edil da Matola Carlos Filipe Tembe, vai terminar o seu mandato, garanto que muita gente da qual faço parte, vai sentir saudades, não que seja ou sejamos saudosistas, é que a nossa Jovem Matola é hoje concebida de corpo e alma por aquele que apareceu com o Projecto Matola no Coração, aquele que deu a faca e o queijo á juventude, a seiva da Nação, que hoje com orgulho serve a Matola.

Mas muita coisa não vai bem, Tembe, os seus colaboradores usam e abusam da sua simpatia, e chamo desde já atenção para que não seja vítima do tempo psicológico, que não rogues para 2008 chegar logo logo e poderes abandonar o que carregas no coração.

Espero que antes de nos abandonar ressuscite o gabinete de comunicação e imagem de forma a nos dar a conhecer o que, sua excelência e seus colaboradores tem vindo a fazer, pois virou moda não ser informado sobre o estado da Matola, se tal acontece ninguém nos informa, não é vossa obrigação mas devem aprender a prestar contas a sociedade.

Um dos seus colaboradores teria me dito que sua excelência está a fazer de propósito matar o gabinete de comunicação e imagem, para ganhos pouco claros, será? Bom não sei se é verdade ou não, mas vou vivendo mergulhado nesta opinião enquanto não me provarem o contrário.

A informação em fuga que fez algumas pessoas perdem emprego, continua a jorrar, mas agora de pessoas mal intencionadas, amigos de onça que dizem de pés juntos: para continuar a andar num bom carro e com bom salário é só estar sempre de acordo com a opinião do chefe mesmo que ele esteja errado, bom parece mentira mas é o que vivemos na Matola.

Sei excelência, que os técnicos envolvidos no parcelamento são dos mais ricos, com casas, carros e muitos outros bens que adquiriram em tempo recorde quando seus salários não justificam. Não me perguntem quem são e como sei disso, porque só não os conhece ou não sabe quem nunca se envolveu na batalha de busca de um espaço para viver.

Excelência, estou aqui não a queixar mas a dizer o que me vai pela alma e pelo pensamento, andam a monte ambiciosos, que estão a espera de uma altura certa para de dar um ponta pé e ficarem no seu lugar para tomar decisões.

Vale apenas Carlos Tembe, não dar muita confiança a alguns desses putos que pouco se identificam com os propósitos da maioria dos matolenses, esses não carregam a Matola no coração, esses carregam a ganância no pensamento e na alma , eles já estão aí excelência na mira, qualquer deslize já sabe, aliás melhor que eu qual é a estratégia dos políticos.



Finalmente apresento as minhas despedidas ao Carlos Tembe, sei que em 2008 vai embora e vai deixar saudades e poderão ter-te como cúmplice de várias irregularidades, que se a justiça for feita, alguns dirigentes e ou funcionários na Matola, poderão parar nas barras do Tribunal.

Sei que já mandou alguns embora, movimentou outros, mas há os intocáveis, pedras duras, embondeiros aqueles que acham que esculpiram a Matola, estes são ossos duros de roer, e clamo pela intervenção mas séria do governo central e não só, para estancar estas irregularidades que desgastam a nossa Matola.

Comecem por questionar as vedações existentes bairro de Mussumbuluko por exemplo, só para citar um exemplo, vi com meus próprios olhos espaços vedados por murros sem placa sem nada a dizer o que está ali a acontecer, perguntei a algumas pessoas que vivem perto de alguns destes terrenos se sabiam de algo sobre as obras, ninguém respondeu.

São quintais enormes de quem não sei, afinal porque é que formaram os secretários dos bairros? Não era para poderem fiscalizar as obras nos seus respectivos bairros? Ou era para serem cúmplices? Adeus Carlos Tembe, mas repare antes estes erros, veja o seu manifesto e diga o que já fez, já fez muito mas muito também ficou por fazer.

A água não chega em Dlavela, Malhampwene, Mussumbuluco e tantos outros bairros, colocaram postes para iluminarem as ruas do bairro das Zonas Verdes mas anda-se as escuras. As vias de acesso a alguns bairros ainda são um caus, sinto pena dos que vivem no Primeiro de Maio e Khongolote que arriscam suas vidas em carros que não tem mínimas condições para fazem transporte público.

Excelência não vá antes de disciplinar alguns dos seus colaboradores muitos deles acusados várias vezes no envolvimento em actos não aceitáveis na nossa sociedade, posso dar o exemplo do secretário do bairro das zonas verdes acusado de assediar sexualmente mulheres, da secretária do bairro Acordos de Lusaka acusada de estar envolvida na venda de terrenos, só para citar alguns exemplos.

Estou a falar do que veio a ribalta, mas muita coisa está nos bastidores e sua excelência sabe disso, mas antes de lhe cansar, digo adeus Carlos Tembe fica um abraço fraterno de Lázaro Bamo.