terça-feira, 15 de abril de 2008
Falta de sentido do Estado Vs decadência da hegemonia partidária
Com este artigo, a minha pretensão não é abater os corvos que adejam nas noites escuras do povo moçambicano mas sim procurar entender alguns fenómenos sociais que podem desgastar movimentos partidários quando estes não tem responsabilidade.
O primeiro aspecto que gostaria de discutir com o prezado leitor, tem haver com a essência/significado do sentido de estado. Na minha óptica, ao aplicar-se a separação de poderes (Executivo, Legislativo e Judicial), aliado a isto, quando o governante assume responsabilidade total e completa pelo bem estar do governado, este último dá o seu contributo na gestão do estado, aí temos o sentido de estado. A minha pergunta é: Qual é o cenário em Moçambique?
Para responder a minha ingénua questão, teremos que analisar vários casos que tem vindo a se verificar no nosso país. A verdade é que a falta de sentido de estado pode culminar com a decadência da hegemonia político/partidária, na medida em que o suporte popular de uma ideologia político-partidária, encontra-se enraizado na resposta aos anseios das massas. Mas esta falta e/ou ausência de sentido de estado verifica-se também nos governados, que muitas das vezes não dão seu contributo na gestão do bem comum.
Estamos mergulhados até ao pescoço, num país onde partidos políticos perdem a maior parte do tempo se atirando pedras, ao invés de buscar soluções dos problemas, onde alguns governados nada fazem para inverter o cenário da desgraça. Infelizmente estamos num país onde a oposição acha que ajudar o país a crescer, é atacar o partido no poder exigindo para que lhe seja entregue o poder, porque ele merece. Minha pergunta é, até que ponto poderá se considerar esta exigência um facto consumáveis, tendo em conta que ninguém entrega o poder de mão beijada. Estamos num país onde o desafio é lutar contra pobreza, HIV-SIDA, etc, mas alguns dos nossos queridos políticos/governantes centram suas atenções na heroização dos seus ídolos.
Sentido de estado passa necessariamente por resgatar o patriotismo que movia os actuais dirigentes quando marcaram uma viragem na história do país com a geração 8 de Março. Muitos jovens tiveram que abandonar o conforto das suas famílias, abandonar amizades e arriscar as suas vidas para dar o melhor de si para que Moçambique pudesse ser livre e independente. Agora temos o país livre, porque não por em prática os sonhos que moviam a geração que Eduardo Mondlane no seu livro Lutar por Moçambique, apelidou de “uma nova geração de insurrectos activos e determinados a lutar pelos seus próprios meios “.
Nosso país não deve ser discutido e traçado fora somente, as estratégias de desenvolvimento não podem ser traçadas tendo em conta somente os objectivos e as áreas/sectores de interesse dos doadores, porque a continuar assim, Moçambique vai ainda implementar planos incoerentes e ideais políticos inconcretizáveis. Cadê Jatropha, a famosa Arca de Noé, que iria salvar a pérola do Índico da fome? Este pode ter sido um dos casos de ideais políticos que não visam ser concretizados mas sim desafiados. E a agir-se deste modo, que na minha óptica significa demagogia, falta de comprometimento do estado/governo em relação aos anseios dos governados, temos uma situação clara de falta de sentido de estado.
Creio que as hegemonias que hoje caíram em desuso, é porque não acautelaram a questão do sentido do estado, não que não conhecessem o papel desta na sua manutenção na liderança, mas porque relegaram para o segundo plano.
No nosso país há estabilidade política, os governantes deviam usar este factor como pretexto para evidenciar o seu sentido de estado, que passa pelas acções coerentes e logicamente correctas, patrioticamente aceitáveis e moçambicanamente válidas, na solução dos problemas. Não vivi os tempos, mas quando olho para os meus antecessores enxergo que algo lhes identifica como patriotas, isto porque o cenário político/social e cultural que viveram lhes incutiu a ideia de lutar e preservar o bem comum. Não se pode dizer o mesmo hoje, onde cada um é por sí e Deus por todos. Vivemos de restos de patriotismo, como resultado da ausência total ao sentido de estado, e o país a cada dia que passa parece não ser de todos.
Efectivamente o cenário nos mostra com A+B que a hegemonia político-partidária está minada, por culpa própria, porque os nossos compatriotas não sabem ou ignoram que os regimes que ao longo de tempo demonstraram que nada tinham de sentido de estado, foram linchados pelo povo, pois este tem poder apesar de não estar no poder. Temos problemas hoje, a solução ainda está por vir, dos tecnocratas que estão arquivados nos gabinetes como assessores, mas suas ideias e conselhos não falam mais que a vontade político-partidária. Ai sim temos solução, não naqueles que diariamente aparecem exigindo o poder, como isso fosse solução para o problema da maioria.
A solução está com os filhos que a pátria amada pariu, mas que hoje estão exilados nas grandes empresas de consultorias, universidades, ONG’s, pelo mundo a fora, pois mesmo amando a pátria viram que a solução para sua dignidade está longe da nossa terra.
O bom senso, ética, responsabilidade são condimentos necessários e essenciais para que haja um sentido de estado em Moçambique. Estes valores não devem ser esperados apenas de partidos políticos, governo mas também dos governados, que devem saber lutar por um país melhor.
domingo, 6 de abril de 2008
Oposição Oposta
Meus caros, o que me inquieta é o facto do nosso país parecer um tabuleiro de xadrez, onde os jogadores procuram colocar uns aos outros em cheque mate. Parece que no meu país, o que interessa não é a vitória de todos, mas os ganhos das minorias cobardes. Meu olhar crítico vai para a chamada oposição moçambicana, que na minha óptica é uma Oposição Oposta, pois diz e contradiz-se. Uns apelidam-se de pais da Democracia, mas o mesmo ventre que supostamente pariu o sistema multipartidário, é na minha óptica estéril, e logo não pode ter parido a democracia, basta olhar para as eternas, viciadas, dogmáticas e aberrantes lideranças dos tais partidos. Democracia começa em casa, na escola, nas formações políticas, se não existe nesses lugares logo não é possível numa nação, senão em forma de utopia.
Se nossa Oposição Oposta é moribunda, é por culpa própria, ela ainda não sabe o que na verdade quer, se é o bem para o povo ou estar na liderança. Mas seja o que for, recomendo uma análise profunda dos discursos antes de serem ejaculados nas mentes da maioria. Nossa Oposição deve deixar de discutir pessoas, discutir factos. Os que estão no Poder, estão a tirar partido desta inoperância e cegueira intelectual da nossa Oposição Oposta. Infelizmente tenho que reconhecer que a hegemonia do partido no Poder, só chegará ao fim se a nossa oposição morrer, subir aos céus, reicarnar-se sob o espirito santo no seio da virgem democracia. Quem sabe assim terémos um país livre de corruptos, injustos, viciados pelo Poder e egoístas.
O país não pode ser regionalizado. Certamente que alguns irão concordar outros não, se for a afirmar que alguns elementos da Oposição Oposta, ganha pão, tem tendências para discriminação étnica. Olhemos para os discursos, que procuram passar a ideia do privilégio da região sul do país em detrimento das outras regiões do país. Meus caros, isto é típico de promotores de separação dos povos. Verdade seja dita, há disparidades entre pessoas, no que diz respeito a qualidade de vida e ganhos salariais (enquanto uns ganham mil meticais há quem ganha 600 vezes mais... que aberração), mas isso não pode ser usado como argumento para separar e destruir o país. O povo está cansado! Sim está, na qualidade de povo sinto isso, mas a Oposição Oposta, não está a fazer o seu papel para nos ajudar, apesar de ser ela quem articula directamente com o partido no Poder e o governo, simplesmente incita a rebelião. Queria saber quais são os ganhos que tiram com esta acção criminosa.
Alguns aparecem como oposição, e além de ser oposição oposta exibem suas qualidades de engraxadores, aparecem como caixas de ressonâncias, consumidores passivos de estratégias e políticas de desenvolvimento da nossa nação. Cadê Sibindy, o famoso, um exemplo claro de uma oposição infantil. Como querem meus senhores que o país acreditem e aposte em vocês, se de nada se diferem do vosso inimigo?
Ouvi um membro da oposição a dizer que as mudanças no Zimbabwe podiam ser mais valia para oposição no país, como? Duvido que pessoas sérias, que trabalham possam querer se aliar aos demagogos, casos excepcionais existem, podemos olhar para o político promissor Raúl Domingos que a nível internacional soma e segue, dos outros nada direi.
Oiço repetidas vezes a Oposição Oposta a dizer, qualquer coisa como, o Governo é comandado pelo partido Frelimo...minha pergunta é como não pode? Querem os senhores dizerem que quando forem ejaculados pelo milagre na Ponta Vermelha irão ideologicamente se distanciar das vossas formações partidárias? Querem os senhores nos sugerirem que não vão ouvir as vossas comissões políticas para tomarem decisões sobre a Pêrola do Índico? Se sim como é que irão trabalhar? O contrário desta crença, que é seguir ideologia partidária, será pelo menos vender o país à ignorância, pois os vossos partidos que vos elegem como candidatos têm planos para a governação do país, agora, como irão os senhores abortar esse feto ideológico que carregam no ventre faminto, desde que se acharam crescidos e saíram de casa onde nasceram?
Esta cegueira é a causa do sofrimento do povo, que não tendo outra alternativa vai vivendo do pouco que mais vale que nada. A vossa cegueira intelectual meus caros, é que faz com que os cidadãos com visão, quando aparecem com opiniões que o partido no Poder espera de vocês, sejam tidos como ameaça, agentes secretos da oposição. A vossa visão curta meus caros, é que faz com que nos achem seguidores do partido no Poder quando denunciamos vossas lacunas e fraquezas. Vejam onde nos levam!
Meus caros, minha tese esta semana é, A Nossa Oposição É Oposta, os motivos já deixei ficar nos parágrafos anteriores.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Retórica para soprar ferida
Talvez tenha sido por isso que Sua Excelência, Maria Vicente transladou o quadro para o sector dos transportes. Bom a maneira como Sua Excelência soprou a ferida, duvido que algum dia Chiponde poderá sentir falta daquele lugar. Vi um exemplo de estímulo dos quadros quando há uma eminente necessidade de mudança. Ela começou por pedir autorização para exonerar Lucas Chiponde, como ninguém podia contrariar a decisão de sua excelência e a aparente vontade da maioria, lá foi transladado o quadro. Depois sua excelência, pediu autorização para nomear Manuel Honwana, que até altura desempenhava as funções de secretário do bairro Intaka, lá no Posto administrativo de Infulene.
Chiponde foi com alegria e boa disposição, talvez porque Sua Excelência demostrou uma grande capacidade de mitigar descontentamento, ainda que algumas pessoas tenham cabeças duras como a pedra, acredito que a continuar nesse ritmo, de lançar a semente com amor e carinho, o milagre poderá acontecer, as sementes poderão germinar nas poucas pedras que pululam na Matola.
Mas é preciso decifrar algumas dúvidas para perceber o Dossier Chiponde, que na minha óptica, supera a mera movimentação, aliás, os despachos não falam de movimentação de quadros, mas exoneração. O que teria acontecido? Incompetência? Competência demais? Esta decisão é de hoje ou antiga? Se é antiga porque não se consumou antes? Se for recente terá Chiponde aprontado em curto período de tempo para Sua Excelência achar que ele deve ir pastar os chapeiros? Dúvidas minhas.
Mas o encontro não foi só de exonerações e nomeações, ou como dizia Sua Excelência movimentação de quadros, foi também de condecorações. Recentemente, a governadora da Província de Maputo, Telmina Pereira visitou a cidade da Matola, eu que estive por perto sei o quanto fui trabalhoso acolher a comitiva que acompanhava aquela dirigente. Valeu a super coordenação da logística por parte do Vereador Cireneu Ferira, que aliás foi uma figura que soube servir água em copo limpo aos visitantes da autarquia. Por isso ele recebeu nota 20. Acho que ele não podia ter melhor recompensa, que este grande consensual reconhecimento.
Mas com nunca falta, há sempre os desestabilizadores, foi vergonhoso foi algumas figuras ilustres, pese embora o facto de ter sido uma minoria baixa, tenham procurado manchar a visita. São estas mesmas figuras, que ao invés de união e estabilidade, procuram sempre manifestar descontentamento e insatisfação; são estas figurinhas meus caros, que temos que estar atentos em relação a elas, gostam de venhas dos seus subordinados, gostam da importância que tem na sociedade e estão dispostas a entregar a cidade da Matola à sua ganância. Queria apelar as figuras ilustres para que tenham cuidado para não serem traídas pela sua esperteza, pois o excesso faz mal e a mentira tem pernas curtas, o respeito é bom e todo mundo gosta. Que o diga Chiponde.
Queria que a mordedura seguida de sopro de Sua Excelência, continuasse mas acima de tudo queria que os nossos dirigentes, seus subordinados Sua Excelência, imprimissem mais dinâmica na execução das suas tarefas pois ainda existem muitos pendentes com a sociedade, que não preciso de fazer escorrer aqui no grande rio.
segunda-feira, 31 de março de 2008
TRISTEZA DE VIVER NUM PAÍS SEM OPOSIÇÃO
Sentado algures, com meus auriculares ligados, ouvia discussões (des)necessárias, alguns diziam que o povo está cansado do governo, por isso que em algumas vezes toma-se decisões/posições desastrosas. Diziam as vozes da oposição que queriam governar, mandar e trazer a felecidade ao povo, .....deixem a RENAMO governar.... achei interessante a ousadia, descobri que não só Platão sonhou o inconcretizável hiperurâneo (mundo perfeito), como também jovem cheios de forças ainda se encontram mergulados em utopias.
Queria aqui chamar atenção para a questão do perigo oposto, pois o ideal democrático (governo do povo/maioria ) actua tanto dentro ou fora do sistema democrático, mas ainda que ele se oponha a autocracia ou tirania , quando exagerado pode tomar o lugar do seu inimigo (autocracia ou tirania) e ao invés de somente destruir o inimigo ele irá realçar o sistema que criou, é o que evidentemente poderá acontecer, caso os pais da democracia se hospedem na ponta vermelha.
Infelizmente tenho que reconhecer que a nossa oposição não se apresenta como alternativa, já explico: como por exemplo, pode um parlamentar defender que obras que incitam violência possam se defundidas para o consumo público? como pode um parlamentar não apresentar uma postura de cidadania para criar harmonia na sociedade e no povo que era suposto ele representar no parlamento? como pode um parlamentar (legislador) estimular actos de violência? quem afinal é o garante da implementação da lei, ordem e tranquilidade públicas? Meus caros minha tese hoje é: Moçambique não tem alternativa político - partidária.
Acredito que o país, precisa e merece parlamentares interventivos, capazes de não apenas denunciar, desmacarar mas acima de tudo avançar propostas de solução sem olhar para as cores partidárias e lutando pelos interesses da maioria. Caros deputados, a Demagogia e Absolutismo são atitudes que surgem mesmo na busca da perfeição devido a irreflexão do homem, dai que somos chamados a usar a razão e ter cautela com o exagero dos nossos ideais.
Parece haver alguns parlamentares pro-desordem, que acham que o povo deve se rebelar para buscar solução dos seus problemas; que acham que o povo não é pacífico, que deve mostrar ao governo que é preciso que haja sentido de estado e responsabilidade do governo. Apoio esta posição, não concordo é quando dizem que a solução está com o governo sombra, que para tal deverá nascer do ventre da Maria mãe de Jesus e salvar a terra do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Ìndico.
Bom posso até não concordar com uma só palavra do que dizem, mas só moralmente obrigado a defender até a morte o direito que tem de dizer as coisas. Poderão certamente perguntar o que sugiro, como minha tese ou seja o que pretendo ao afirmar que Moçambique não tem alternativa político - partidária, pretendo apenas e unicamente dizer que temos que fazer uma oposição enraizada na ciência e na razão e não na emoção. Porque se não sabem meus caros, nós o povo sabemos, que querem as relagalias que os outros têm, querem nos governar e se afirmarem na sociedade, se vingarem dos vossos inimigos usando o poder, sabemos meus caros que todos usam o nome do povo para ter Ford Ranger. Porém se os vossos sonhos estiverem nas nuvens, não se preocupem , pois eles estão no lugar certo agora construam as bases para lá chegarem.
Meus caros deputados, pais da democracia, quero vos sugerir os dizeres de La Rochefoucauld segundo os quais, se nós não tivessemos defeitos, não teríamos tanto prazer em notá-los nos outros. Uma vez mais está evidente o perigo oposto de Giovanni Sartori. Os deslizes da nossa fraca oposição, só fortalecem o partido no poder, que enquanto assim for, continuará a governar seus amigos e inimigos.
Para semana vamos falar dos outros, mas aos matsangiças ( seguidores de André Mtsangaiça – Fundador da RENAMO), quero que saibam que o único lugar onde o sucesso vem antes que o trabalho é no Dicionário, assim dizia, Einstein.
terça-feira, 18 de março de 2008
Excessos da minha “era”
Sentí que na minha geração existem excessos e que muitas vezes, a emoção egocentrista leva-nos a tomar decisões não muito católicas. Não sou contra mexidas ou exonerações muito menos contra mudanças, mas tenho dúvida da eficácia de algumas decisões. Certamente que irão perguntar-me qual é a minha opinião, mas antes de ser estrupado pelas perguntas prefiro responder.
Estamos a menos de dois anos para o fim do mandato e no entanto há mudanças ou mexidas no governo, isto pode ser positivo mas também negativo. Se não vejamos: ao exonerar e nomear, Sua Excelência o presidente Armando Guebuza mostrou que tem vontade de mudar alguma coisa; que está consciente na inoperância de alguns sectores. Isto é positivo! Aliás, como dizia Marcel Achard, um homem que nunca muda de opinião, em vez de demonstrar a qualidade da sua opinião, demonstra a pouca qualidade da sua mente. Entretanto, a medida, na minha maneira de ver, tem a sua parte negativa. Estamos numa altura em que o chefe do estado apela as lideranças e não só, apela ao povo e os seus lideres para que corram...não é tempo de andar. Muito bem! Qualquer um que queira correr bem, precisa de fazer exercícios de aquecimento. Aqui surge a minha inquietação. Quanto tempo precisarão as novas apostas de Sua Excelência o presidente Armando Guebuza para aquecer, entrarem na pista e correr? Ou seja, quanto tempo precisarão para reconhecer os sectores e colocar tudo em ordem? Não nos podemos esquecer que só faltam pouco menos de dois anos para o fim do mandato.
É verdade que todos aspiramos mudanças mas, não é menos verdade que teremos que juntos atravessar tempestades para chegarmos a terra prometida. Por que é que ao invés de exonerar não buscamos soluções? Na minha opinião, a solução do problema dos transportes não está na exoneração do ministro, antes pelo contrário, é preciso que se melhorem as condições de vida do pacato cidadão, para que este não sofra com a subida dos preços no mercado mundial.
Acho que a governação da minha “era”, devia parar de fazer uma gestão de policiamento, permitindo assim, a liberdade do homem e do seu pensamento para que estes dois fossem usados em benefício de todos a sua inteligência. Esta governação deveria também, criar coesão na liderança, não mexer na máquina governativa como se estivesse a lidar com manequins da montra de uma loja de roupas.
As analogias não devem guiar a nossa governação, isto é, não é porque o fulano foi bom gestor do sector x que o será do y. Não julguemos ninguém pelo passado mas sim, pela natureza dos desafios de cada sector. Não quero desafiar os argumentos por detrás das exonerações e nomeações. Sou leigo na matéria. Apenas gostaria de saber porque é que eles tiveram aquele fim? Se me respondessem, quem sabe assim, poderia concordar com a posição tomada pelo inquilino da ponta vermelha!
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
O reinado de tubarões na N4
Verifiquei que vezes sem conta, abutres influentes, tem vindo a colocar seus camiões com peso bruto acima do permissível, o que vai desgastando aos poucos tapete vermelho, basta ver o troço entre cruzamento da Moamba e Malhampwene. Os camiões dos tubarões, que na sua maioria transportam areia extraída em Moamba, simulam da Texlom e Boane, através de uma via que passar por trás da Mozal e seguindo seu itinerário obscuro chegam aos locais onde depositam a areia que transportam. Há uma outra via de terra batida que de Malhampswene leva os tubarões à Avenida das Indústrias. Como mostra foto abaixo de um Camião notificado no Km16 usado via alternatica, contornando a báscula de Boane .
A TRAC comprou duas viaturas para os agentes da PRM, faz a devida manutenção, como forma de combater os tubarões disfarçados em camionistas, mas tudo fica frustrado, assim sendo verifica-se a violação de um dos termos de referência no âmbito do contrato de concessão entre o Governo e a TRAC, segundo o qual o governo deve controlar as obras da TRAC. A foto abaixo mostra um agente da Policia de Transito notificando um camionista para a pesagem e este mostrando certa resisentência. Como nota-se não saiu da estrada
Os tubarões não são gentinha como o próprio nome já diz, é gente grande, que usando e abusando das influências que têm, desorganizam o estado Moçambicano, estragam a N4 e tornam mais precárias as estradas de terra batida, estas últimas usadas para fugir das básculas e dos impostos. Ao danificar o tapete vermelho e tantas outras estradas, o camionistas dos tubarões retardam o esforço do governo, resultado do imposto do cidadão comum, ao invés de mais vias de acesso em locais que necessitam, o governo passará os mandatos a fazer manutenção de estradas.
A edilidade da Matola já chamou atenção aos tubarões, mas nada de novo. São estes camiões que tornam precárias as vias que com capacidade para 38 toneladas de peso bruto permissível, suportam pesos três a quatro vezes superiores. Resultado, Matola com vias precárias Matola enquanto os tubarões enchem os bolsos.
Este cenário faz com que a concessionária da via, faça uma gestão de policiamento, como forma de garantir um dos seus maiores interesses, manter a estrada. As multas vão para estado, e este só tem a ganhar. Os tubarões vão se impondo, porque o país é deles.
O nosso governo, devia agora concentrar suas atenções na construção de novas vias aproveitando o facto da TRAC ainda estar a fazer a manutenção da N4, pois quando a N4 passar para o lado de cá, aí sim viverémos a realidade crua e dura.
Cá entre nós, os interesses dos tubarões, em nome de abertura de postos de trabalho e empreendedorismo, vão cavalgando a maioria. A impunidade aliada à negligência, vai denunciando alguns esquemas de troca de favores que infelizmente ainda polulam na terra que nasceu em Bagamoyo, Nachingwea, etc.
Quem era xiconhoca nos tempos lá idos e por mim não vividos? Qual é a sua diferença com os tubarões? Que medidas a tomar? Porque não se toma? Meus amigos, como dizia Maomé, a verdadeira riqueza de um homem é o bem que ele faz neste mundo.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Os intelectuis que não masturbam ideias Vs crise de pensamento
Uma vez escrevi um texto, sugeria um streap tease de ideias dos intelectuais, como forma de seduzir os políticos a se despirem alguns políticos da inracionalidade e maquiavelismo; apelava para que alguns intelectuais, saíssem dos sovacos político-partidários e desempenhassem o seu real papel ou que pelo menos, agissem como intelectuais não como cobardes ou máquinas de escrever.
Depois seguiu-se o debate na blogosfera, partilhei ideias com alguns intelectuais, outros simplesmente limitaram-se a atirar pedras pedindo para que eu dissesse nomes dos cobardes que sacrificam a razão em troca de 4X4; outros disseram que era pertinente discutir a questão do intelectual em Moçambique e seu papel e o que está por detrás da sua postura.
Mas que ideias a discutir de individuos que estão corrompidos pelos bens materias? Nãso digo que são casos perdidos, mas minha proposta é que abordemos Moçambique sem medo, pois o que acontece é que alguns intelectuais são caixas de ressonância e consumidores passivos da cobardia. Eis o meu ponto de diálogo.
Algumas correntes me pedem provas sobre a crise de pensamento movida pela falta de masturbação de ideias. Bom, este facto resulta do positivismo, onde o verdadeiro é o tangível e o imaginário é uma falsidade. Mas a questão aqui é que, a abordagem do social, que é composto pelo material e o imaterial, requere uma visão abrangente e polivalente. Alguns intelectuais estão em crise de ideias, isto se avaliaramos o seu desempenho no esboço de pontos de fuga de vários problemas sociais.
A questão não se prende aqui com a defesa de uma premissa afirmativa e universal de que os intelectuais estão nos sovacos, corrompidos e em crise de pensamento, mas sim com a necessidade de reconhecer e discutir o facto de alguns intelectuais não masturbarem ideias, limitando-se apenas em imitar modelos, demostrando uma clara crise de ideias.
Também posso estar em algum sovaco, aliás isso não é mau. É importante que na nossa humilde reflexão entendamos sovaco como uma crença e/ou convicção, o que não é mau, negativo neste cenario é quando alguns ilusteres intelectuais arquitectam ou pelo menos assessoram o desenho e implementação de estratégias de desenvolvimento maquiavélicas e pouco eficientes. É muito bom ter intelectuais e/ou técnicos a trabalharem nos partidos políticos, mas sua tarefa não se deve limitar e aceitar os dógmas, mas sim ajudar a reflectir sobre a sustentabilidade e o impacto desta mais aquela visão na vida da sociedade.
Tomemos o caso do valor dos Chapas, que causou tumultos, se as decisões tivessem sido refinadas pelos intelectuais, com uma capacidade de prever os riscos da medida, não teríamos chegado ao extremo que chegamos. Quando um intelectual abdica sua função técnica e visão crítica, mergulhando cegamente em ideologias partidárias, passa a ser o consumista passivo, entramos numa fase que chamaria de crise da racionalidade.
A minha pergunta é: onde está a sua capacidade crítica e de análise de situações de modo a fazer valer sua opinião no seio dos partidos? Como colocar as ideologias partidárias ao bom serviço das massas? como ser imparcial perante os erros nas ideologias dos partidos, dado que existe espaço de diálogo, onde cada um expressa sua opinião? Portanto arrolo aqui algumas questões que me levam a polémica tese de que ALGUNS INTELECTUAIS ESTÃO NOS SOVACOS DE PARTIDOS POLÍTICOS, e digo mais, isto é ignorância por culpa própria.
É perigoso pedir aos técnicos uma responsabilidade política mas mais perigoso é os técnicos fazerem da técnica homem de campo de ideologias maquiavélicas. A tradição já nos mostrou que estes dois aspectos, técnica e política, não devem ser analisados e vistos separamente dado que, existe aqui uma interdependência entre ambos. O produto político em termos práticos não é observável, dai que sustentando-se na técnica, os movimentos políticos procuram converter ou pelo menos desafiar os seus ideais.
O intelectual pode ser político e vice versa, mas o mal é o exagero das posições e as actuações maquiavélicas, o intelectual não deve ter medo de falar. O intelectual não deve esquecer a sua capacidade crítica e de análise, assim como deve colocá-la em prática, como forma de melhorar a sua imagem e seu papel de político.
Queria convidar os intelectuais, que infelizmente não masturbam ideias e estão em crise de pensamento, para que deixem de viver como sapos, que pensam que o mundo é o poço, estamos mergulhados num periodo com várias mudanças, liberdades, condições e possibilidades, uma época em que uma salada de factos insta a capacidade de contemplação e criatividade.
Os intelectuais em crise de pensamento devem revisitar as lições sobre as incoerências, a falta de lógica , os paradoxos, a intuição, e ter consciência de que os problemas só são insolúveis na superfície. Os partidos politicos, para não serem fustigados pela crise ideológica, devem exigir dos seus assessores, uma análise despida de inracionalidade, incoerência, falta de lógica; Devem dar liberdade de pensar e falar, deixar o intelectual adejar como um pássaro numa eterna masturbação de ideias.
Se é o sucesso que os partidos politicos querem buscar, bem estar social das massas, não é menos verdade que precisam de lanternas intelectuais, dai que os que estão nos sovacos, pagos para pensar pelo país, devem se despir do medo, da crise do pensamento e exibirem suas ideias.