segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Fogo cruzado no município da Matola

Uma vez como se de professia se tratasse, escrevi uma crónica onde eu falava de amigos de onça que rodeavam o falecido edil da Matola Carlos Tembe, paz a sua alma, hoje estes amiguinhos de onça já não se escondem, autoproclamam-se.

A luta pelo poder e pela herança, são factos que a história e o tempo nunca conseguiram sanar, a verdade é que no mundo de política e da demagogia há sempre os mais ambiciosos, mais gananciosos mais intriguistas e ditadores, e a Matola ainda de luto vive este cenário.

Conta-se que há um vereador com certa idade que não para de mover seus paus para tomar o lugar vazio deixado pelo insubstituível edil da Matola Carlos Tembe que perdeu a vida em Dezembro último. Conta-se que ele no dia do sucedido e usando suas fortes influências no partido Frelimo na Matola, teria engendrado um golpe e interpelado a governadora numa reunião de emergência havida no município da Matola, afirmando que tinha orientações vindas do partido que podiam melhor esclarecer o que a lei diz, isto é , que devia se ter calma em relação a subida consagrada pela lei da Sra. Maria Vicente, presidente da Assembleia Municipal em substituição do edil da Matola, aquele que estará sempre no nosso coração.

Conta-se que ele foi logo censurado em observância da lei mas mesmo assim ainda tentou entrar em contacto com o Ministério de Administração Estatal como forma de açambarcar o poder, mas felizmente não foi desta. São homens desta natureza que a Matola não merece nem precisa, são homens desta natureza que fora o facto de serem ambiciosos querem implementar a ditadura que aliás se verifica a nível do pelouro do vereador ganancioso, seus subordinados dizem que vivem como sapos cuja vida e o trabalho se resumem nas orientações descabidas do seu chefe, por isso dizem eles, agora já há campo para trabalhar com jovens e implementar projectos ideias para Matola.

Um episódio triste e vergonhoso verificou-se na quadra festiva, onde o vereador gananciosos e ditador, desviou o cabaz da chefe do gabinete da edilidade, aliás algumas correntes dizem que a encomenda foi mal feita, mas na arrogância o vereador disse que já havia consumido tudo, pois é, em época das festividades há muita cede. O que me espanta é que ele primeiramente prometeu devolver o cabaz, mas não honrou com sua palavra, ou seja mentiu e levou coisa alheia, o que fora a lei dos homens, se o senhor vereador for religioso violou um dos dez mandamentos.

Com as minhas atenções como cidadão, com direitos e liberdades consagradas pela lei mãe, a Constituição da República, o que não significa que devo ou posso emitir juízos para denegrir ou defamar quem quer que seja, quis aqui retractar um exemplo claro de que existem facções no Município da Matola, há um verdadeiro fogo cruzado, onde os embondeiros acham que tem espaço para fazerem valer seus ideias que não passam de políticas visando enganar a maioria. Quero convidar ao caro munícipe a medir comigo o pulsar da Matola nos próximos tempos, para juntos sabermos quem é por nós e quem é contra nós.

A verdade é que as facções ou blocos opostos estão firmados e a guerra já começou, o divisionismo de nada irá ajudar na concretização dos planos e estratégias de desenvolvimento da autarquia, antes pelo contrário, serémos mergulhados numa cidade onde há guerra de todos contra todos, onde viverá o peixe de boca maior, como se apresenta ou aparenta o vereador ganancioso, este sim irá se dar bem na cidade terrena bem retratada por santo Agostinho.

Esses embondeiros queriam passar por cima da lei, queriam açambarcar a Matola e tenho certeza de que não pregam o olho, mas estamos atentos para questionarmos todas irregularidades. Vamos continuar encima dos acontecimentos.

Queria chamar atenção para observância da humildade pois como dizia Juan Luis Lorda, A experiência da nossa fraqueza e o reconhecimento de que agimos mal, é algo que humilha. Quando à fraqueza se une o orgulho, o engano pode chegar a extremos patológicos: não se conforma com uma modesta justificação, mas incomoda-se com a verdade, com os que lhe dizem a verdade, ou com os que a vivem.

É verdade que a adversidade é um trampolim para a maturidade, mas quando acrescemos a ganância, como é o caso da Matola, podemos cair num covil de víboras. Queria apoiar me ao Martin Luter King Jr que afirmava e com razão que A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio. Eis aqui a minha medida neste termómetro sugerido pelo reverendo.

Parémos a guerra e intriguismo vamos dar continuidade ao legado de Dr Carlos Filipe Tembe que cedo nos deixou deixando nossas almas partidas e um vazio em nós.
Lázaro Bamo

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Os estados devem ser mais actuantes na atribuição de Direitos de Uso e aproveitamento da terra

O Centro Terra Viva, através da sua Directora Executiva, Dra. Alda Salomão, esteve recentemente em Kénia a convite do Institut for Law and Environment Governance- ILEG, para fazer parte de um Workshop subordinado ao tema, Missao de Aprendizagem e Troca de Experiencias Sobre Direitos de Acesso à Recursos Naturais. No encontro estiveram organizações como Accord (Uganda), Zela (Zimbambwe), algumas ONG’s norte-americanas e na qualidade de financiadores do encontro, estiveram presente representantes da Fundação Ford para zona Austral e Oriental de África.

O workshop tinha como objectivo principal, mostrar aos participantes algumas experiências negativas vividas por comunidades que enfrentam problemas no acesso e uso da terra, segundo a Dra. Alda Salomão, os participantes visitaram a região de Mombassa e as proximidades do Lago Vitória, dois pontos com um grande potencial económico e turístico, por isso registam elavado índice de conflitos.

Como em alguns países africanos, o Kénia não apresente situção diferente, pois verifica-se naquele país a atracção do investimento privado mas que “ não respeita a política de responsabilidade social, ambiental e avaliação do impacto ambiental” disse a nossa entrevistada, tendo citado alguns exemplos de conflitos na região de Mombassa onde “ há um operardor que exoplora a indústria de produção de Sal, que não observou a questão da consulta pública, e unilateralmente desviou o curso normal da água e alterou o aspecto natural da paisagem, privou as comunidades de consumo de água e na época chuvosa as águas não tem por onde escorrer, o que cria situações de alagamentos”, o mais grave ainda é o facto de estar a verificar-se naquele local a salinização da Terra e das fontes de água e as comunidades estão agastadas com a situação pois segundo a Dra. Alda Salomão, elas sentem que não estão a ser acautelados aspectos ambientais, aliado ao facto do governo não estar a fiscalizar a fábrica. Fala-se, segundo a fonte que temos vindo a citar, de precárias condições de trabalho na fábrica.

Outro caso de conflito em Mombassa, que mereceu realce, tem haver com o facto de um investidor privado, aparentemente influente no governo keniano, ter solicitado várias extensões de terra para plantação de Cizal, mas o que se verifica é que ele tem estado a vender a terra terceiros, ele teria vendido uma parte da parcela a um investidor que pretende erguer um campo de Golf na região e para satisfazer os seus intentos “ ele está a fazer retirada e reassentamento forçado das comunidades” disse a nossa fonte. Porque lhe foi atribuida uma parcela pertecente a comunidade, há conflitos e algumas familias sairam outras ficaram e as renitentes estão a ser maltradas e ameaçadas. Este facto provoca revolta uma vez que a terra não está a ser usada para os fins de palantação de cizal, o que em sí já é uma violação. Naquela plantação foi construido um posto policial que está para guardecer o local da invasão das comunidades.




No meio deste cenário, questionamos a nossa entrevistada qual era o papel do governo, ao que ela respeondeu dizendo que “ a posição do governo é duvidosa e num encontro que tivemos um representante da administração disse que estão a ser tomadas medidas sobre o caso mas não pareceu a tomar com muita responsabilidade, já a bastante tempo que se diz a mesma coisa” .

Mesmo despois do caso ter sido encaminhado para o Tribunal e as comunidades terem ganho a causa, de ponto de vista de reposição de danos e realização prática da decisão nada está a ser feito.

A Dra. Alda disse que era necessário acautelar aspectos que tem haver com a boa governação, combate à corrupção, respeito pelos direitos humanos, como forma de mitigar conflitos. As comunidades pediram ajuda das ONG’s, pois os advogados comerciais não são muito sensíveis ao assunto em relação as agremiações da sociedade civíl, aliado aos elevados custos, dai que o apoio principalmente do ILEG seria preponderante.

O encontro serviu de primeiro passo para consciencializar as comunidades sobre os seus direitos. Dra. Alda Salomão chamou atenção para que haja “consciência do estado de direito, pois quando o estado não uma ideia clara do funcionamento do triângulo, Governo-Sector Privado – Comunidade, acaba sendo promotor de conflitos e desmandos”, dai que se faz necessário uma papel actuante dos agentes do estado, através da concessão de informações sobre os direitos de deveres de cada um “ é preciso ilucidar o papel das comunidades, do sector privado, pois muita das vezes este último prevarica a lei porque ninguém o fiscaliza e ninguém o diz quais são as suas obrigações” Dra. Alda Salomão acrescentou que “ muitas vezes o debate é feito no sentido de que há conflito entre o sector privado e as comunidades, diz-se que o privado não presta, mas não são todos investidores que tem má conduta, mas porque o objectivo deste é o lucro e o nível de fiscalização é precário ele aproveita para alcansar as suas metas”.

A nossa entrevistada lamentou o facto de mesmo estar consagrada na lei a separação de poderes, a experiência mostrar o contrário, uma vez que há relatos de que alguns membros do governo keniano tem interesse nalguns empreendimentos que constituem foco de conflito. Convidada a fazer uma análise comparativa entre o cenário vivido na Kénia e em Moçambique, Dra. Alda, disse que os problemas tem mesma natureza, tendo comparado o caso de Massingir como o exemplo da definição clara dos objectivos na concessão da Terra. Na opinião da nossa interlocutora, tem havido uma campanha positiva de angariação de investimentos mas “ não estamos ainda a conseguir gerir investimentos sem criar conflitos, e isto pode de alguma formar dispersar os investimentos” portanto ela apela a observação da legislação moçambicana que é clara quanto aos aspectos de responsabilidade social e ambiental. Disse que as comunidades moçambicanas deviam ser mais proactivas e não esperarem que as as ONG’s façam tudo, tendo afirmado que as comunidades kenianas estão avançadas a nível de consciência e intervenção sobre questões de seu interesse.
por: Lázaro Bamo

CTV reúne-se com parceiros para apresentar Parceria Global pelas Florestas

Por: Lázaro Bamo

A criação de uma nova Parceria Global pelas Florestas – PGF, foi proposta pelo Banco Mundial como forma de juntar um número maior de organizações possível de forma a melhorar o progresso da gestão florestas, e desta forma melhor responder às necessidades sociais, ambientais e económicas. Esta proposta de parceria tem como foco principal acções conjuntas com os países em vias de desenvolvimento.

Iniciativas recentes sobre políticas e mercados têm estado a gerar oportunidades para levar a gestão de florestas por caminhos sustentáveis e mitigar ilegalidades e exploração insustentáveis. A descentralização está a permitir que as comunidades tenham maior poder e maior participação na gestão das florestas. A sociedade civil em geral, está cada vez mais consciente sobre as mudanças climáticas e problemas que as florestas enfrentam. Os consumidores estão a começar a exigir madeira produzida legalmente e sustentavelmente. Mercados para os serviços ambientais oferecidos pelas florestas, incluindo os reservatórios de carbono, estão a aparecer e até o próprio Banco Mundial, está envolvido em muitas destas iniciativas, exemplo: o novo Fundo para a Redução das Emissões de Carbono das Florestas. Tais iniciativas podem oferecer aos proprietários e gestores de florestas, novas fontes de financiamento e apoio para a melhor gestão das florestas.

É no quadro desta Parceria Global pelas Florestas, que o Centro Terra Viva, reuniu-se recentemente e pela segunda vez em Maputo com alguns dos potenciais parceiros da iniciativa, como forma de colher sensibilidades a respeito da consulta.

O Banco Mundial está interessado por um lado em obter comentários sobre a proposta da PGF, e por outro conhecer a opinião dos diferentes intervenientes de como é que a PGF poderia responder as suas próprias necessidades. Para isso pediu à Instituto Internacional do Meio Ambiente e Desenvolvimento - IIED que realizasse uma avaliação independente. O mecanismo principal da IIED para esta avaliação, é a realização de consultas aos diferentes intervenientes a nível internacional. O IIED irá posteriormente informar sobre a análise das respostas e opiniões sobre o processo de desenvolvimento da PGF.

Falando á nossa reportagem, o representante IIED presente no encontro, o Eng. Duncan Macqueen explicou que «esta é mais uma parceria global do Banco Mundial, que vem sendo desenvolvida desde o ano passado mas até agora a discussão era restrita aos membros do banco e agora estão a abrir a porta para que outras pessoas façam comentários sobre como a parceria pode funcionar». A fonte acrescentou que o Banco Mundial tem várias parcerias internacionais mas o que acontece até agora é que a sua gestão é feita de forma separada e a intenção é juntar todas parcerias a nível global. Para tomar esta posição aquela instituição financeira segundo o nosso entrevistado tem dois motivos sendo «um interno que tem com o melhoramento da metodologia e obter mais sucesso no sector florestal, outro internacional aliado ao facto de haver recursos para redução do desmatamento e eles querem uma estrutura para fazer a gestão destes novos recursos financeiros». O objectivo da parceria segundo o Eng. Duncan, é reduzir a pobreza, mas tudo passa necessariamente por uma gestão sustentável das florestas. Questionado sobre quem podia fazer parte da parceria o nosso entrevistado disse que esta era aberta para todas regiões interessadas pois, até agora, ainda não se decidiu quem irá ficar de fora «agora estamos a fazer consulta em vários segmentos sociais para colher-se sensibilidades de como as pessoas gostariam de ver a parceria Global a funcionar», disse. Neste momento a consulta abrange seis países, nomeadamente: Brasil, Guiana Inglesa, China, Rússia, Gana e Moçambique, contudo não é possível fazer consulta em todo mundo devido a limitações de fundos, segundo a fonte que temos vindo a citar mas «a consulta foi traduzida em várias línguas e qualquer pessoa de qualquer país pode preecher um formulário e o IIED levará as suas preocupações junto ao Banco Mundial».

Uma das maiores preocupações apresentadas no encontro prendia-se com o facto de ser difícil o acesso aos fundos do Banco Mundial e o Eng. Duncan, disse ser esta uma preocupação em todo mundo e citou como exemplo a exclusão das Ilhas Caraíbas nas metas desenhadas pelo Banco para redução do desmatamento e pobreza, dado que a densidade populacional daquela região não apresenta nenhuma relevância a nível mundial mas também existem países pobres com vários idiomas que estão preocupados sobre como irão aceder aos fundos e a solução segundo apuramos do representante do IIED, é «falar ao banco que precisamos de mecanismos acessíveis para qualquer país, a gestão dos fundos deve ser aberta para qualquer região e não se limitar a países ricos e ONG´s internacionais, porque sem dúvida o banco mundial tem um motivco forte para desenvolver a parceria dai que temos oportunidade para expormos a nossas preocupações e acabar com mecanismos que não funcionam bem», concluiu.

No encontro, a Direcção Nacional de Terras e Florestas (DNTF) apresentou plano de actividades que está a ser implementado desde 2004, que conta com suporte financeiro da FAO. Sobre esta nova parceria que o Banco Mundial propõe, o Eng.º Pedro Mangue da DNTF, disse esperar um apoio para redução da pressão sobre os combustíveis lenhosos, um fenómeno por ele apontado como a causa principal do desflorestamento no país. A fonte acrescentou que o sector de florestas sobre problemas de inserção institucional dado que “o país está virado para produção de alimentos e as florestas estão um pouco á margem destes objectivos”, concluiu. Por seu turno a Directora Executiva do Centro Terra Viva, Dra. Alda Salomão, disse na ocasião que era fundamental o reforço da legalidade e da fiscalização do sector, dado que todos resultados esperados dependem destes dois aspectos. De salientar que o CTV, na qualidade de focal point da parceria em Moçambique já está a fazer a consulta, através de questionários elaborados para o efeito.(x)

Bem Vindo 2008

Caro leitor em virtude de estarmos num novo ano, com outras dimensões económicas, socias, politicas, culturais, ético-morais, cientificos, proponho para o nosso blog uma visão global a partir da Matola. Isto significa que toda minha produção literária (artigos de opinião, reportagens, artigos cientificos ), será encontrada aqui.

Reetero minha gratidão pela preferência.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Morreu Carlos Tembe

A Matola está de luto, morreu o edil Carlos Tembe na madrugada de hoje (20/12/07) vitima de doença. Carlos Tembe dirigiu a Matola durante 9 anos por sufragio universal e implementou varias politicas que enovaram a cidade em todas vertentes.


Paz a sua alma

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Matola a deriva

Definitivamente volto a deixar meu espírito adejar pelo planeta da crítica, movido não por outro motivo senão a crítica construtiva mesmo. Pensei um dia num mundo onde todos pensassem da mesma forma e encontrei duas hipóteses lógicas, uma é que os lideres carísmáticos definiriam o nosso distino, seu pensamento errado levarar-nos-ia ao covil de víboras, mas quando certo poderia nos levar a terra prometida. Dei uma volta pela escrita, li Karl Bath e ele disse, a verdade surge num impasse entre duas ideias antagónicas, acordei e cá estou.

Tenho a honra e prazer de testemunhar a par e passos os progressos e fracassos que a Matola tem vindo a registar. Juro que os fracassos me frustram, as conquistas me emocionam, mas ultimamente tenho mais motivos para viver angustiado, e vou aqui citar apenas alguns:

Primeiro: O mandato de Carlos Tembe está no fim e agora mais do que nunca, verifica-se um momento de actuação de quem tem oportunidades, os ideias continuam a guiar nossos políticos, que mesmo sabendo que suas promessas terminam nos comícios populares, reuniões e entrevistas, vão falando de projectos e esforços em curso para resolver problemas de transportes, água, luz e outros mas onde está a realização das actividades, nada.

Segundo: sinto que muitos estão na sombra frondosa da recente recategorização da Matola, que passou do nível C para B, atenção que esta vitória não pode ser vista e comemorada apenas a nível local ou mesmo se afirmar categoricamente que é resultado de boas práticas a nível dos decisores da autarquia, pois se assim fosse não sei onde é que a Matola estaria, no nível B é que não. Agora todos estão estagnados, inoperantes o que interessa na sua óptica é que politicamente a Matola ganhou pontos, e economicamente? Não sei pois os beneficiários dos impostos são a menoria, detentores do poder na autarquia.

Terceiro: os discursos proferidos em torno de vários assuntos de interesse público são, contrários, contraditórios, incoerentes, admito porém que em algumas vezes temos exemplos de boas práticas, mas estas não são nada se comparadas com experiências negativas; numa entrevista concedida ao Matolinhas, o edil da Matola Carlos Tembe, disse que recebia muitas propostas de jovens empreendedores e ele dava o seu apoio, mas a experiência já mostrou que os ideias políticos nunca se concretizam tal como dizia Giovani Sartori, aliás, o vereador que era suposto responder pelos jovens, Paulo Manhique, só osteta no seu cargo esta tarefa mas não a assume com responsabilidade, pois afirma ele de boca cheia que não cabe ao conselho Municipal da Matola apoiar iniciativas juvenis, a edilidade só pode ajudar e aconselhar os empreendedores. Paulo Manhique viajando no seu controverso raciocínio afirma que a edilidade só pode apoiar grupos legalmente reconhecidos, digo sinceramente que algo está errado. Bom uma experiência positiva tivemos na primeira edição do Festival de Jazz na Matola, com excelente organização e aderência do público e nesta onda de apoiar os oficializados alguém forjou uma instituição chamada Criativa para organizar a segunda edição do Festival do Jazz, a Criativa só nasceu para gerir fundos do evento e depois desapareceu. Criativa não teve sorte porque a edilidade não conseguiu apoio, o badged que se espera foi uma miragem, como a Criativa queria dinheiro em troca de bom espectáculo foi embora, todos nomes agendados termnaram no site e nos planos agora arquivados e improvisou-se festival em homenagem ao jazz nacional, resultado sala cheia de segurança e protocolo e uma dúzia de espectadores. Tive certeza de que o apoio não é para entiado assim como oportunidades são para amiguinhos da cúpula, coitado dos Matolinhas.
Quarto: espero que antes do fim do mandato a edilidade nos traga o Centro Cultural da Matola, conforme o prometido no dia 3 de Março de 2006 dia em que foi inaugurado o Auditório Municipal, pois a continuar naquele ritimo aquele espaço, corre sérios riscos de entrar para o guiness book como mais um Elefante Branco na Matola. Por favor ainda que seja seu dever peço para conceder vias dígnas e condígnas para o acesso à khongolote, Primeiro de Maio, Matola Gare.

A gestão do bem público não pode ser feita com emoção, intolerância, egoísmo, inresponsabilidade, argumentos falaciosos, e ideiais políticos, é preciso que haja o espírito de mostrar o produto final apreciável, prazeiroso, responsável, pois não pode um líder se dar por feliz quando o cumprimento do seu manisfesto é aprovado a nível do seu partido, pois nem sempre isso significa bom sinal, antes pelo contrário quando se aprova algo errado há um engano duplo, por um lado trai a confiança dos seus com metiras por outro decepciona o eleitorado e confunde os interesses que podem eventulmente ser do seu partido.

Não sou inimigo, bem que queria ser amigo, mas é necessário saber cooperar pois tal como dizia Virginia Burden, a cooperação é a convicção plena de que ninguém pode chegar à meta se não chegarem todos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Combate ao crime e o perigo oposto

Meus companheiros da academia que me perdoem pela ousadia, meus mestres que puxem as orelhas, pois sem autoridade muito menos legitimidade atrevo-me a usar dizeres do sociólogo, filósofo Giovanni Sartori mas não podia resistir, quero partir da premissa deste ou seja, O perigo Oposto para dizer tudo que me vai na alma e na razão.


A criminalidade está em alta na província e cidade de Maputo, porquê? Bom podia dizer que estamos na capital político-económica e na antiga cidade industrial do país dai que os malfeitores tem na província como seu alvo. O curioso é que os agentes da PRM são apontados com dedo acusador, dizem as vozes que eles são incompetentes. Mas até que ponto? Bom por um lado pode se considerar uma validade material desta posição na medida em que alegando falta de condições, os agentes sem envolvem em esquemas de corrupção vendendo a tranquilidade pública para garantir o seu sustento; mas também podemos olhar a questão noutro ângulo, isto é, temos um cenário em que quanto melhor equipada é a policia mais eficientes são os malfeitores, senão vejamos. A experiência já nos mostrou que a tendência dos índices criminais é de subir e sempre subir, e num esforço redobrado aloca-se alguns meios, há parcerias para formação de agentes, e o resultado? Nada. É que me parece que a formação é dada aos assaltantes que a própria polícia.


Os malfeitores assaltam estabelecimentos em fracções de segundo e a policia dá resposta séculos depois. Porquê? Não sei. Casos de assaltos aos bancos são algo novo na Matola mas roubo de patos não. É caso para dizer que o desenvolvimento tem algumas influências nefastas na sociedade na medida em que são novos empreendimentos que atraem ladrões, fazem nascer corruptos e corruptores.


Não quero negar o desenvolvimento, aliás estou a favor e disposto a dar o meu contributo, mas é preciso que se tome em consideração que quanto mais um país, uma região uma cidade evolui, é preciso implantar novas estratégias, ter um outro tipo de liderança, o que não significa necessariamente a mudança ou troca de ninguém mas antes de mais a capacitação, formação de homens capazes de entrar firmes para a aldeia global.


Voltando ao perigo oposto, este axioma sugere que quando exageramos na luta pelo bem podemos não destruir o mal mas substitui-lo, isto é, trocar o mal pelo mal. Vamos exigir segurança à policia mas não de forma exagera para não corrermos o riscos de sermos ditadores, pois ao ditarmos as regras à policia irémos criar desordem na sociedade. Vamos sim humildemente contribuir, colaborar, não corromper. Os bufos também devem ser humildes não anunciarem perfeição que não buscam, e mesmo se o fizessem estaria a navegar na utopia.


Não quero ser pessimista mas é preciso ter cuidado com o perigo oposto nas exigências e promessas que são feitas, aliás Giovanni Sartori diz que é mais fácil avaliar o produto de um mercador porque este é consumido directamente pelo público mas do político não porque não é apalpável. Quem muito luta pela justiça poderá se tornar injusto; quem muito luta pelo bem poderá se tornar maldoso; vamos buscar o meio termo, somos uma sociedade evoluída que já não usa a emoção para agir mas a razão para se guiar.


Queria apenas compartilhar o pensamento de Miguel de Unamuno, eles dizia somos mais pais do nosso futuro do que filhos do nosso passado.